Intervista di Marcelo Musa Cavallari di Acidigital al Card. Agostino Marchetto(per gentile concessione di S. Em. za il Card. Agostino Marchetto)
O Sínodo da Sinodalidade convocado pelo papa Francisco acirrou o embate entre correntes internas na Igreja que se digladiam desde o Concílio Vaticano II. Acusações de manipulação em nome de uma agenda mundana, por um lado, e pressão por ordenação de mulheres, fim do celibato sacerdotal e alteração da moral sexual católica para aceitar a homossexualidade vieram à tona logo no início da XVI Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos, que pela primeira vez reúne não só bispos, mas até leigos com direito a voto.
“Certamente não podemos ignorar o mundo – e por isso é errado entrincheirar-nos no passado – mas nunca devemos esquecer que estamos no mundo e não somos do mundo”, disse o cardeal Agostino Marchetto a ACI Digital. “Não podemos subverter a Tradição doutrinal e moral da Igreja para agradar ao mundo. Olhamos para a Cruz de Cristo, gloriosa sim, mas ainda assim, Cruz”.
Marchetto, criado cardeal pelo papa Francisco no último 30 de setembro, é, segundo o próprio papa, “o melhor hermeneuta do Concílio Vaticano II”. Para o cardeal, “é necessário reforçar o diálogo interno na Igreja entre as diversas posições, entre aqueles que exaltam a fidelidade exclusiva à Tradição e aqueles que, ao contrário, pretendem adaptar-se ao mundo”.
A seguir, a entrevista do cardeal.
ACI Digital: Alguns veem o Sínodo da Sinodalidade como uma oportunidade para finalmente aplicar as decisões do Concílio Vaticano II, especialmente sobre a colegialidade na Igreja, que teriam ficado suspensas durante os pontificados de João Paulo II e Bento XVI. Como o senhor vê o papel do Sínodo à luz da hermenêutica do Concílio Vaticano II em continuidade com a tradição da Igreja?
Marchetto: O julgamento inicial sobre a suspensão do exercício do ministério colegial na Igreja é facilmente desqualificado se pensarmos em todos os sínodos dos bispos celebrados durante os pontificados de João Paulo II e Bento XVI. No famoso discurso de 22 de Dezembro de 2005 à Cúria Romana, o Papa Bento XVI disse que de fato o Concílio Vaticano II representava continuidade e não descontinuidade com a tradição católica. E todos os papas conciliares e pós-conciliares fazem eco. Sobre os dois polos continuidade e descontinuidade, prefiro começar mais longe, observando que a primeira alternativa, colocada pelo papa Bento XVI, é a ruptura, na descontinuidade, ou a reforma-renovação, na continuidade da Igreja sujeito único. É precisamente nesta combinação de continuidade e descontinuidade, pero no ruptura, a diferentes níveis que consiste a verdadeira natureza de uma reforma autêntica. Continuidade refere-se então à Tradição com letra maiúscula que, com a Sagrada Escritura e o Magistério, formam o "gênio" do catolicismo, como disse [o teólogo Oscar] Cullmann, um protestante. A fidelidade neste sentido é fonte de uma fecundidade que se renova, tendo presentes os sinais dos tempos, o hoje de Deus, o tempo em que vivemos, o "Sitz im Leben", que nao é nova Revelacao [. Vejo, portanto, o sínodo em curso nesta perspectiva.
ACI Digital: Importantes personalidades da Igreja participantes no Sínodo defenderam a ideia de uma moral menos ligada às leis e à verdade e mais pastoral, com acompanhamento e discernimento de cada caso particular. Também é comum ouvir a ideia de que as ciências humanas têm uma contribuição mais importante a dar para a compreensão da sexualidade humana do que, por exemplo, a teologia clássica, ou simplesmente a teologia. Essas ideias fazem eco a uma interpretação do Vaticano II segundo a qual ali foi superada “a hegemonia da “teologia”, entendida como isolamento da dimensão da doutrina e do seu conceitual abstrato, bem como a do “juridicismo” em moral. Essa posição é forte entre os participantes do sínodo?
Marchetto: Creio que quem me lê está convencido da importância e do valor doutrinal, espiritual e pastoral do Concílio Vaticano II, tanto que pode dizer que é um “ícone” da própria Igreja Católica, ou seja, daquilo que especialmente o catolicismo é constitucionalmente: comunhão. Também com o passado, com as origens, identidade na evolução, fidelidade na renovação. Aquilo que foi uma posição extrema no Concílio Vaticano II, na sua chamada "maioria" cada vez mais ávida por impor o seu próprio ponto de vista, surda aos “chamados” e ao trabalho de “costura” de Paulo VI, conseguiu, depois do concílio, monopolizar, pelo menos durante um certo tempo, a interpretação do "acontecimento", rejeitando qualquer procedimento diferente como anticonciliar. Mas para responder corretamente, voltemos ao pensamento inicial, aquele que considera a Igreja, como qualquer organismo vivo, em contínuo crescimento, interna e externamente, permanecendo ela mesma. Ora, tal desenvolvimento certamente implica múltiplos problemas, que dizem respeito à doutrina, ao culto, à moral, à disciplina e ao apostolado. Geralmente – como sabemos – a sua solução é fornecida pelo magistério ordinário (ensino) dos Pastores, assistidos por teólogos unidos a todo o Povo de Deus, em comunhão com eles. Às vezes, porém, a complexidade do assunto ou a gravidade das circunstâncias históricas sugerem intervenções extraordinárias. Entre estes devem ser considerados os concílios, que promovem, na fidelidade à tradição, o desenvolvimento doutrinal, as reformas litúrgicas e disciplinares e as escolhas apostólicas, tendo também em consideração as necessidades dos tempos (os famosos "sinais dos tempos", que não constituem uma nova Revelação). Os sínodos aparecem, nesta perspectiva, como os marcos do caminho da Igreja através da história. Pois bem, agora surge a ideia de que a sinodalidade não é apenas a expressão de um acontecimento episódico da vida da Igreja, mas permeia toda ela, transformando-a em sinodalidade, pedindo que o Povo de Deus “caminhe junto”, em consenso sinodal, como expressão do “católico”, para nós a “encarnação” da combinação entre Tradição e renovação como foi no Grande Sínodo Vaticano.
A alma da verdade da oportunidade e da importância do consenso permanece, como a forma correta de proceder conciliar e sinodalmente. A sua ausência ou deficiência é, na verdade, algo que deve então ser “pago” caro, como ensina a história. De facto, o exemplo de muitos concílios importantes - desde o de Calcedónia ao Vaticano II, passando pelo Concílio de Trento - que laboriosamente trabalharam para chegar a consensos é um testemunho da sua grande importância e do seu carácter de sinal, especialmente no sentido de que a verdade não é 'decidida' através do voto, mas 'atestada' através do consenso”. Não creio que haja muitos que neste Sínodo aderem conscientemente a uma visão tão distorcida do Grande Sínodo, como sempre chamei o Concílio Vaticano II. , ou daquele em andamento. Se o Espírito Santo falar, fico tranquilo, até porque é o papa Francisco, o sucessor de Pedro, quem detém as chaves
ACI Digital: E qual é o caminho para chegar ao consenso católico?
Marchetto: Conhecendo a riqueza e as contradições da cultura moderna, as aspirações, as esperanças, as alegrias e as tristezas, as desilusões e as dificuldades do homem contemporâneo, Paulo VI, seguindo o impulso interior da caridade, procurou mergulhar nelas. Foi um evangelista assíduo e promotor do diálogo com todos os homens de boa vontade: com os cristãos separados, com os não-cristãos, com os não-crentes. “A Igreja deve dialogar com o mundo em que vive; a Igreja torna-se palavra; a Igreja torna-se mensagem; a Igreja se torna uma conversa”, testemunhou ele. Posteriormente afirmou expressamente: “Cabe especialmente a nós, pastores da Igreja, procurar com audácia e sabedoria, em plena fidelidade ao seu conteúdo, os modos mais adequados e eficazes de comunicar a mensagem evangélica aos homens do nosso tempo”. Este é o diálogo da salvação, que encontra a sua origem transcendente na própria intenção de Deus e tem como características a clareza, a mansidão, a confiança e a prudência. “No diálogo, assim conduzido, consegue-se a união da verdade com a caridade, da inteligência com o amor”. Paulo VI afirmou com força que o diálogo deve permanecer imune ao relativismo, que mina a doutrina imutável da fé e da moral: “A preocupação de aproximar-se dos irmãos não deve traduzir-se numa atenuação, numa diminuição da verdade”; “o nosso diálogo não pode ser uma fraqueza em comparação com o compromisso com a nossa fé”; “Não podemos comprometer os princípios teóricos e práticos da nossa profissão cristã”. Quem nos lê percebe todos os vínculos que aqui existem, falando de sinodalidade, com o Vaticano II, com o seu andamento, com o primado, com a colegialidade, com a busca do diálogo dentro da Igreja Católica, com o que proporciona consensos constantes e fervorosos, com o desejo continuamente renovado e concretizado, para que a renovação e a Tradição dialoguem entre si e haja uma ligação entre o antigo e o novo? Entre a sinodalidade, o proceder conjunto, a colegialidade e o primado. O Vaticano II viu-se sancionando o desenvolvimento teológico ocorrido e traduzindo-o em ação pastoral, em resposta às necessidades dos tempos, na continuidade da doutrina. E agora vamos a este empreendimento sinodal que tentei apresentar aqui, no seu contexto.
ACI Digital: O que podemos esperar do Sínodo no “caminho do consenso e do diálogo para combinar tradição e renovação”, como já definiu o Concílio Vaticano
Marchetto: O Concílio não foi uma ruptura na história, mas uma renovação na continuidade da Igreja Católica única. Todos os papas aceitaram esta interpretação. Nós, católicos, porém, como muitas vezes parece, estamos facilmente armados uns contra os outros a este respeito, e isso não é certo, não é cristão. Em vez disso, é necessário reforçar o diálogo interno na Igreja entre as diversas posições, entre aqueles que exaltam a fidelidade exclusiva à Tradição e aqueles que, pelo contrário, pretendem adaptar-se ao mundo. Certamente não podemos ignorar o mundo – e por isso é errado entrincheirar-nos no passado – mas nunca devemos esquecer que estamos no mundo e não somos do mundo. Certamente não podemos subverter a Tradição doutrinal e moral da Igreja para agradar ao mundo. Olhamos para a Cruz de Cristo, gloriosa sim, mas ainda assim uma Cruz.
Nostra traduzione
Il Sinodo della sinodalità convocato da Papa Francesco ha intensificato lo scontro tra correnti interne alla Chiesa che si combattono fin dal Concilio Vaticano II. Le accuse di manipolazione in nome di un'agenda mondana, da un lato, e le pressioni per l'ordinazione delle donne, la fine del celibato sacerdotale e un cambiamento della morale sessuale cattolica per accettare l'omosessualità, dall'altro, sono emerse proprio all'inizio della XVI Assemblea Generale del Sinodo dei Vescovi, che per la prima volta riunisce non solo i vescovi, ma anche i laici con diritto di voto.Nostra traduzione
"Non possiamo certo ignorare il mondo - e per questo è sbagliato trincerarsi nel passato - ma non dobbiamo mai dimenticare che siamo nel mondo e non del mondo", ha detto il cardinale Agostino Marchetto ad ACI Digital. "Non possiamo sovvertire la tradizione dottrinale e morale della Chiesa per piacere al mondo. Guardiamo alla Croce di Cristo, gloriosa sì, ma pur sempre una Croce".
Marchetto, creato cardinale da Papa Francesco il 30 settembre, è, secondo lo stesso Pontefice, "il miglior ermeneuta del Concilio Vaticano II". Per il porporato, "è necessario rafforzare il dialogo interno alla Chiesa tra le diverse posizioni, tra chi esalta la fedeltà esclusiva alla Tradizione e chi, al contrario, vuole adattarsi al mondo".
Di seguito l'intervista del cardinale.
ACI Digital: Alcuni vedono il Sinodo della sinodalità come un'opportunità per applicare finalmente le decisioni del Concilio Vaticano II, soprattutto sulla collegialità nella Chiesa, che sarebbe stata sospesa durante i pontificati di Giovanni Paolo II e Benedetto XVI. Come vede il ruolo del Sinodo alla luce dell'ermeneutica del Concilio Vaticano II in continuità con la tradizione della Chiesa?
Marchetto: Il giudizio iniziale sulla sospensione dell'esercizio del ministero collegiale nella Chiesa è facilmente squalificabile se pensiamo a tutti i sinodi dei vescovi celebrati durante i pontificati di Giovanni Paolo II e Benedetto XVI. Nel suo famoso discorso del 22 dicembre 2005 alla Curia romana, Papa Benedetto XVI ha detto che in realtà il Concilio Vaticano II ha rappresentato la continuità e non la discontinuità con la tradizione cattolica. E tutti i papi conciliari e post-conciliari gli hanno fatto eco. Per quanto riguarda i due poli della continuità e della discontinuità, preferisco partire ulteriormente osservando che la prima alternativa, posta da Papa Benedetto XVI, è la rottura, nella discontinuità, o la riforma-rinnovamento, nella continuità della Chiesa come soggetto unico. È proprio in questa combinazione di continuità e discontinuità, ma non di rottura, a diversi livelli che consiste la vera natura di un'autentica riforma. La continuità si riferisce allora alla Tradizione con la maiuscola che, con la Sacra Scrittura e il Magistero, costituisce il "genio" del cattolicesimo, come ha detto il [teologo Oscar] Cullmann, un'idea che non ha bisogno di essere messa in discussione.
La fedeltà in questo senso è fonte di rinnovata fecondità, tenendo conto dei segni dei tempi, dell'oggi di Dio, del tempo in cui viviamo, del "Sitz im Leben", che non è una nuova Rivelazione [...]. Vedo quindi l'attuale sinodo in questa prospettiva.
ACI Digital: Importanti figure della Chiesa che partecipano al Sinodo hanno difeso l'idea di una morale meno legata alle leggi e alla verità e più pastorale, con accompagnamento e discernimento di ogni singolo caso. È anche comune sentire l'idea che le scienze umane abbiano un contributo più importante da dare alla comprensione della sessualità umana rispetto, ad esempio, alla teologia classica o alla semplice teologia. Queste idee riecheggiano un'interpretazione del Vaticano II secondo cui esso ha superato "l'egemonia della "teologia", intesa come isolamento dalla dimensione della dottrina e della sua concettualizzazione astratta, e quella del "giuridicismo" nella morale". Questa posizione è forte tra i partecipanti al Sinodo?
Marchetto: Credo che chi mi legge sia convinto dell'importanza e del valore dottrinale, spirituale e pastorale del Concilio Vaticano II, tanto da poter dire che è un'"icona" della Chiesa cattolica stessa, cioè di ciò che il cattolicesimo in particolare è costituzionalmente: la comunione. Anche con il passato, con le sue origini, l'identità nell'evoluzione, la fedeltà nel rinnovamento. Quella che al Concilio Vaticano II era una posizione estrema, con la cosiddetta "maggioranza" sempre più desiderosa di imporre il proprio punto di vista, sorda ai "richiami" e all'opera di "cucitura" di Paolo VI, è riuscita, dopo il Concilio, a monopolizzare, almeno per un certo periodo, l'interpretazione dell'"evento", respingendo come anticonciliare ogni procedura diversa. Ma per rispondere correttamente, torniamo al pensiero iniziale, quello che considera la Chiesa, come un qualsiasi organismo vivente, in continua crescita, interna ed esterna, pur rimanendo se stessa. Ora, questo sviluppo implica certamente molteplici problemi, che riguardano la dottrina, il culto, la morale, la disciplina e l'apostolato. Generalmente - come sappiamo - la loro soluzione è fornita dal magistero ordinario (insegnamento) dei Pastori, assistiti da teologi uniti a tutto il Popolo di Dio, in comunione con esso. A volte, però, la complessità del tema o la gravità delle circostanze storiche suggeriscono interventi straordinari. Si tratta dei concili, che promuovono, nella fedeltà alla tradizione, lo sviluppo dottrinale, le riforme liturgiche e disciplinari e le scelte apostoliche, tenendo conto anche delle esigenze dei tempi (i famosi "segni dei tempi", che non costituiscono una nuova Rivelazione). In questa prospettiva, i sinodi appaiono come tappe fondamentali del cammino della Chiesa nella storia.Ebbene, ora sta emergendo l'idea che la sinodalità non sia solo l'espressione di un evento episodico nella vita della Chiesa, ma la permei tutta, trasformandola in sinodalità, chiedendo al Popolo di Dio di "camminare insieme", nel consenso sinodale, come espressione della "cattolicità", per noi "incarnazione" del binomio Tradizione e rinnovamento come fu nel Grande Sinodo Vaticano.
Resta l'anima della verità dell'opportunità e dell'importanza del consenso, come corretto modo di procedere conciliare e sinodale. La sua assenza o carenza è, infatti, qualcosa che va poi "pagata" a caro prezzo, come la storia insegna. Infatti, l'esempio di molti importanti concili - da quello di Calcedonia al Vaticano II, passando per il Concilio di Trento - che hanno faticato per raggiungere il consenso è una testimonianza della sua grande importanza e del suo carattere di segno, soprattutto nel senso che la verità non viene "decisa" attraverso il voto, ma "attestata" attraverso il consenso". Non credo che in questo Sinodo ci siano molti che aderiscono consapevolmente a una visione così distorta del Grande Sinodo, come ho sempre chiamato il Concilio Vaticano II. o quello in corso. Se lo Spirito Santo parlerà, sarò rassicurato, anche perché è Papa Francesco, il successore di Pietro, che detiene le chiavi...".
ACI Digital: E qual è la strada per raggiungere il consenso cattolico?
Marchetto: Conoscendo la ricchezza e le contraddizioni della cultura moderna, le aspirazioni, le speranze, le gioie e i dolori, le delusioni e le difficoltà dell'uomo contemporaneo, Paolo VI, seguendo l'impulso interiore della carità, cercò di immergersi in esse. Fu un assiduo evangelizzatore e promotore del dialogo con tutti gli uomini di buona volontà: con i cristiani separati, con i non cristiani, con i non credenti. "La Chiesa deve dialogare con il mondo in cui vive; la Chiesa diventa una parola, la Chiesa diventa un messaggio, la Chiesa diventa una conversazione", ha testimoniato. In seguito, ha dichiarato espressamente: "Spetta soprattutto a noi, pastori della Chiesa, cercare con coraggio e saggezza, nella piena fedeltà al suo contenuto, i modi più appropriati ed efficaci per comunicare il messaggio evangelico agli uomini del nostro tempo". Questo è il dialogo della salvezza, che trova la sua origine trascendente nell'intenzione stessa di Dio e le cui caratteristiche sono la chiarezza, la dolcezza, la fiducia e la prudenza. "Nel dialogo così condotto si realizza l'unione della verità con la carità, dell'intelligenza con l'amore". Paolo VI affermò con forza che il dialogo deve rimanere immune dal relativismo, che mina la dottrina immutabile della fede e della morale: "La preoccupazione di avvicinarci ai nostri fratelli non deve tradursi in un'attenuazione, in una diminuzione della verità"; "Il nostro dialogo non può essere una debolezza rispetto al nostro impegno nella fede"; "Non possiamo compromettere i principi teorici e pratici della nostra professione cristiana". Chi ci legge si rende conto di tutti i legami che esistono qui, parlando di sinodalità, con il Vaticano II, con il suo svolgimento, con il primato, con la collegialità, con la ricerca del dialogo all'interno della Chiesa cattolica, con ciò che porta a un consenso costante e fervente, con il desiderio sempre rinnovato e realizzato che il rinnovamento e la Tradizione dialoghino tra loro e che ci sia un legame tra il vecchio e il nuovo? Tra sinodalità, procedere insieme, collegialità e primato. Il Vaticano II si è visto sancire lo sviluppo teologico avvenuto e tradurlo in azione pastorale, in risposta alle esigenze dei tempi, nella continuità della dottrina. E ora arriviamo a questo sforzo sinodale che ho cercato di presentare qui, nel suo contesto.
ACI Digital: Cosa possiamo aspettarci dal Sinodo sulla "via del consenso e del dialogo per coniugare tradizione e rinnovamento", come già definito dal Concilio Vaticano II?
Marchetto: Il Concilio non è stato una rottura nella storia, ma un rinnovamento nella continuità dell'unica Chiesa cattolica. Tutti i papi hanno accettato questa interpretazione. Noi cattolici, però, come spesso sembra, ci armiamo facilmente gli uni contro gli altri a questo proposito, e questo non è giusto, non è cristiano. Dobbiamo invece rafforzare il dialogo interno alla Chiesa tra le diverse posizioni, tra chi esalta la fedeltà esclusiva alla Tradizione e chi, al contrario, vuole adattarsi al mondo. Non possiamo certo ignorare il mondo - e per questo è sbagliato trincerarsi nel passato - ma non dobbiamo mai dimenticare che siamo nel mondo e non del mondo. Non possiamo certo sovvertire la Tradizione dottrinale e morale della Chiesa per piacere al mondo. Guardiamo alla Croce di Cristo, gloriosa sì, ma pur sempre una Croce.