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Catechesi Santo Padre

vescovi ad limina 1Alle ore 12.30 di oggi, nella Sala Clementina, il Santo Padre Francesco ha ricevuto in Udienza i Vescovi della Conferenza Episcopale del Portogallo, in occasione della Visita “ad Limina Apostolorum”.

Pubblichiamo di seguito il testo del discorso che il Papa ha consegnato ai Presuli nel corso dell’incontro:

Discorso del Santo Padre

Venerado Cardeal Patriarca,

Amados Irmãos no Episcopado!

Com fraterna alegria, vos acolho e saúdo neste vosso encontro colegial com o Sucessor de Pedro, pedindo-vos que leveis a todos os membros das vossas circunscrições eclesiásticas as minhas saudações mais cordiais, com votos de grande serenidade e confiança no Senhor. Quando as dificuldades parecem ofuscar as perspectivas de um futuro melhor, quando se experimenta o falimento e o vazio em redor de nós, é o momento da esperança cristã, fundada no Senhor ressuscitado e acompanhada por um amplo esforço caritativo em favor dos mais necessitados

Muito me alegra ver a Igreja em Portugal solidária e solícita com a sorte do seu povo, como aliás acaba de referir o vosso Presidente, Cardeal Manuel Clemente, nas amáveis palavras de saudação que me dirigiu e que lhe agradeço, convidando-vos por minha vez a prosseguir juntos no caminho do anúncio da salvação de Jesus Cristo.

Vejo, com esperança, crescer a sinodalidade como opção de vida pastoral nas vossas Igrejas particulares, procurando envolver o maior número possível de seus membros na obra incessante de evangelização e santificação dos homens. Desejo exprimir-vos o meu apreço pelo zelo pastoral e pelas múltiplas iniciativas empreendidas, individualmente e como Conferência, nos anos transcorridos desde a Visita ad Limina de 2007, com momento alto no acolhimento que reservastes ao Papa Bento XVI em Maio de 2010. De grande utilidade pelo seu realismo interpelador, se revelou a sucessiva auscultação geral da fé e das crenças do vosso povo, que teve uma primeira resposta geral na Nota Pastoral Promover a Renovação da Pastoral da Igreja em Portugal (Abril de 2013), com os «caminhos – escrevíeis vós – que agora nos propomos percorrer para sabermos melhor levar Cristo aos nossos irmãos e os nossos irmãos a Cristo».

Dos vossos relatórios quinquenais, pude deduzir, com verdadeira satisfação, que as luzes sobrepujam as sombras: a Igreja que vive em Portugal é uma Igreja serena, guiada pelo bom senso, escutada pela maioria da população e pelas instituições nacionais, embora nem sempre seja seguida a sua voz; o povo português é bom, hospitaleiro, generoso e religioso, ama a paz e quer a justiça; há um episcopado fraternalmente unido; há sacerdotes, preparados espiritual e culturalmente, que desejam dar um testemunho cada vez mais coerente de vida interior realizada de modo evangélico, enquanto enraizada na oração e na caridade; há consagrados e consagradas, que, fiéis ao carisma dos respectivos fundadores, manifestam à sociedade contemporânea o valor perene da sua entrega total a Deus mediante os conselhos evangélicos da pobreza, da castidade e da obediência, e colaboram na pastoral de conjunto de cada uma das Igrejas particulares, segundo as directrizes do documento Mutuae relationes; há leigos que exprimem, com a sua vida no mundo, a presença eficaz da Igreja para a autêntica promoção humana e social da Nação, lembrados desta indicação do Concílio Vaticano II: «O apostolado no meio social, isto é, o empenho em informar de espírito cristão a mentalidade e os costumes, as leis e as estruturas da comunidade em que se vive, são incumbência e encargo de tal modo próprios dos leigos que nunca poderão ser plenamente desempenhados por outros. Neste campo, podem os leigos exercer um apostolado de semelhante para com semelhante. Aí completam o testemunho da vida pelo testemunho da palavra. Nesse campo do trabalho, da profissão, do estudo, da residência, do tempo livre ou da associação, são eles os mais aptos para ajudar os seus irmãos» (Apostolicam actuositatem, 13). Nesta consonância de intentos de viver a comunhão na Igreja e de contribuir para a sua presença no mundo, abrem-se múltiplos espaços para iniciativas apropriadas, em particular para quantos desejam viver a experiência do voluntariado nos âmbitos da catequese, da cultura, da assistência amorosa a seus irmãos pobres, marginalizados, deficientes, idosos.

Ao regozijar-me vivamente com tudo isto, exorto-vos a prosseguir no empenho duma constante e metódica evangelização, bem convictos de que uma formação autenticamente cristã da consciência é de extrema e indispensável ajuda também para o amadurecimento social e para o verdadeiro e equilibrado bem-estar de Portugal. Com viva confiança em Deus, não percais a coragem perante situações que suscitam perplexidade e vos causam amargura, tais como certas paróquias estagnadas e necessitadas de reavivar a fé baptismal, que acorde no indivíduo e na comunidade um autêntico espírito de missão; paróquias por vezes centradas e fechadas no «seu» pároco às quais a carência de sacerdotes, para além do mais, impõe abertura a uma lógica mais dinâmica e eclesial na comunhão; alguns sacerdotes que, tentados pelo activismo pastoral, não cultivam a oração e a profundidade espiritual, essenciais para a evangelização; um grande número de adolescentes e jovens que abandonam a prática cristã, depois do sacramento do Crisma; um vazio na oferta paroquial de formação cristã juvenil pós-Crisma, que muito poderia obstar a futuras situações familiares irregulares; enfim, necessidade de conversão pessoal e pastoral de pastores e fiéis até que todos possam dizer com verdade e alegria: a Igreja é a nossa casa.

Meus amados irmãos, não pode deixar de nos preocupar a todos esta debandada da juventude, que tem lugar precisamente na idade em que lhe é dado tomar as rédeas da vida nas suas mãos. Perguntemo-nos: A juventude deixa, porque assim o decide? Decide assim, porque não lhe interessa a oferta recebida? Não lhe interessa a oferta, porque não dá resposta às questões e interrogativos que hoje a inquietam? Não será simplesmente porque, há muito, deixou de lhe servir o vestido da Primeira Comunhão, e mudou-o? É possível que a comunidade cristã insista em vestir-lho? O seu Amigo de então, Jesus, também cresceu, tomou a vida em suas mãos no meio dalguma incompreensão dos pais (cf. Lc 2, 48-52) e abraçou os desígnios do Céu a seu respeito, tendo-os levado a cumprimento com abandono completo nas mãos do Pai (cf. Lc 23, 46). Recordo que, num momento de crise e hesitação que envolveu os seus amigos e seguidores acabando muitos deles por desertarem, Jesus perguntou aos doze apóstolos: «“Também vós quereis ir embora?” Respondeu-Lhe Simão Pedro: “A quem iremos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna! Por isso, nós cremos e sabemos que Tu és o Santo de Deus”» (Jo 6, 67-69). A proposta de Jesus tinha-os convencido; hoje a nossa proposta de Jesus não convence. Eu penso que, nos guiões preparados para os sucessivos anos de catequese, esteja bem apresentada a figura e a vida de Jesus; talvez mais difícil se torne encontrá-Lo no testemunho de vida do catequista e da comunidade inteira que o envia e sustenta, apoiada nas palavras de Jesus: «Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos» (Mt 28, 20). Que Ele está, não há dúvida; mas onde é que O escondemos? Porque, se a proposta é Jesus Cristo crucificado e redivivo no catequista e na comunidade, se este Jesus se põe a caminho com o jovem e lhe fala ao coração, este seguramente abrasa-se (cf. Lc 22, 15.32).

Jesus caminha com o jovem… Infelizmente o pensamento dominante actual, que vê o ser humano como aprendiz-criador de si mesmo e totalmente embriagado de liberdade, tem dificuldade em aceitar o conceito de vocação, no sentido alto de um chamamento que chega à pessoa vindo do Criador do seu próprio ser e vida. A verdade, porém, é que Deus, ao criar-nos, sem dúvida livres na existência, predispôs de certo modo a nossa essência ao pensá-la e dotá-la das capacidades requeridas para uma missão concreta ao serviço desta humanidade que Ele ama. E ama-nos demais, para nos abandonar ao acaso e à míngua de bem. Deste modo, a nossa felicidade depende absolutamente de individuarmos e seguirmos o chamamento para tal missão. A tal liberdade predisposta do mais íntimo do nosso ser para um bem determinado, o mundo define-a uma contradição e, no seu cálculo das probabilidades, não vê qualquer possibilidade de irmos parar no posto exacto que um Ser infinito nos teria atribuído. Mas o mundo está enganado, pois «o Senhor põe os olhos na humildade desta sua ínfima criatura e nela faz maravilhas». Estas palavras traduzem a certeza duma jovem abençoada, mas que via a mesma misericórdia que Deus usara para com ela «estender-se de geração em geração sobre aqueles que O temem» (cf. Lc 1, 48-50).

E não há motivo algum para uma pessoa, seja ela quem for, se auto-excluir deste terno olhar de Deus sobre a sua humilde criatura. «Acaso pode uma mulher esquecer-se do seu bebé, não ter carinho pelo fruto das suas entranhas? Ainda que ela se esquecesse dele, Eu nunca te esqueceria» (Is 49, 15). Jesus caminha com o jovem... Ao catequista e à comunidade inteira é pedido para passar do modelo escolar ao catecumenal: não apenas conhecimentos cerebrais, mas encontro pessoal com Jesus Cristo, vivido em dinâmica vocacional segundo a qual Deus chama e o ser humano responde. «Quando ainda estava no ventre materno, o Senhor chamou-me (…), para ser o seu servo, para Lhe reconduzir Jacob e para Lhe congregar Israel. Assim me honrou o Senhor. O meu Deus tornou-Se a minha força» (Is 49, 1.5). A Igreja em Portugal precisa de jovens capazes de dar resposta a Deus que os chama, para voltar a haver famílias cristãs estáveis e fecundas, para voltar a haver consagrados e consagradas que trocam tudo pelo tesouro do Reino de Deus, para voltar a haver sacerdotes imolados com Cristo pelos seus irmãos e irmãs. Temos tantos jovens desocupados e o Reino dos Céus à míngua de operários e servidores… Deus não pode querer isto. Que se passa então? «É que ninguém nos contratou» (Mt 20, 7). Precisamos de conferir dimensão vocacional a um percurso catequético global que possa cobrir as várias idades do ser humano, de modo que todas elas sejam uma resposta ao bom Deus que chama: ainda no seio da mãe, chamou à vida e o nosso ser assomou à vida; e, ao findar a sua etapa terrena, há-de responder com todo o seu ser a esta chamada: «Servo bom e fiel, entra no gozo do teu Senhor» (Mt 25, 21).

Não vos falta, amados Irmãos, zelo apostólico nem espírito de iniciativa para alcançardes este objectivo, com o emprego do esforço humano ligado à eficácia do auxílio divino. Jesus disse: «Quem crê em Mim também fará as obras que Eu realizo» (Jo 14, 12), não obstante a nossa total indignidade, apesar da nossa fraqueza humana. Também os Apóstolos eram homens fracos. Também Pedro era homem fraco. Seja, portanto, um esforço de colaboração, isto é, da Igreja inteira, porque foi à Igreja que o Senhor assegurou a sua constante presença e a sua infalível assistência. Depois desta visita ad Limina, retomai com empenho renovado o vosso caminho, levando a todos a certeza da minha fraterna solidariedade e empatia. Compartilho as vossas ânsias e as vossas esperanças, as vossas preocupações e as vossas alegrias; convosco e por vós invoco a Virgem Santíssima, para a Qual não cessem de tender os vossos corações com amor filial. E não vos esqueçais de rezar por mim. Confirmo-vos o meu afecto fraterno e dou-vos a Bênção Apostólica, com a qual pretendo abraçar também os fiéis confiados aos vossos cuidados pastorais.

© http://press.vatican.va/content/salastampa/it/bollettino.html - 7 settembre 2015


 

Venerato Cardinale Patriarca, Amati Fratelli nell’Episcopato! Con gioia fraterna, vi accolgo e vi saluto in questo vostro incontro collegiale con il Successore di Pietro, chiedendovi di portare a tutti i membri delle vostre circoscrizioni ecclesiastiche i miei saluti più cordiali, con voti di grande serenità e fiducia nel Signore. Quando le difficoltà sembrano offuscare le prospettive di un futuro migliore, quando si sperimenta il fallimento o il vuoto attorno a noi, è il momento della speranza cristiana, fondata sul Signore risorto e accompagnata da un ampio sforzo caritativo a favore dei più bisognosi. Mi rallegra molto vedere la Chiesa in Portogallo sollecita e solidale con la sorte del suo popolo, come del resto mi ha appena riferito il vostro Presidente, il Cardinale Manuel Clemente, nelle cordiali parole di saluto che mi ha rivolto e per le quali lo ringrazio, invitandovi a mia volta a proseguire insieme il cammino dell’annuncio della salvezza di Gesù Cristo. Vedo, con speranza, crescere la sinodalità come opzione di vita pastorale nelle vostre Chiese particolari, cercando di coinvolgere il maggior numero possibile di membri nell’incessante opera di evangelizzazione e di santificazione degli uomini. Desidero esprimervi il mio apprezzamento per lo zelo pastorale e per le molteplici iniziative intraprese, individualmente e come Conferenza, negli anni trascorsi dalla visita ad Limina del 2007, anni il cui momento più alto è stata l’accoglienza che avete riservato a Papa Benedetto XVI nel maggio 2010. Di grande utilità per il suo realismo interpellante si è rivelata la successiva indagine generale sulla fede e le credenze del vostro popolo, che ha avuto una prima risposta generale nella Nota Pastorale Promover a renovação da Pastoral da Igreja em Portugal (aprile 2013), con i «cammini, — scrivete — che ora ci proponiamo di percorrere per saper meglio portare Cristo ai nostri fratelli e i nostri fratelli a Cristo». Dai vostri resoconti quinquennali ho potuto dedurre, con autentica soddisfazione, che le luci superano le ombre: la Chiesa che vive in Portogallo è una Chiesa serena, guidata dal buon senso, ascoltata dalla maggior parte della popolazione e dalle istituzioni nazionali, sebbene la sua voce non sia sempre seguita; il popolo portoghese è buono, ospitale, generoso e religioso, ama la pace e vuole la giustizia; c’è un episcopato fraternamente unito; ci sono sacerdoti, preparati spiritualmente e culturalmente, che desiderano rendere una testimonianza sempre più coerente di vita interiore vissuta in modo evangelico, in quanto radicata nella preghiera e nella carità; ci sono consacrati e consacrate che, fedeli al carisma dei rispettivi fondatori, mostrano alla società contemporanea il valore perenne del loro dono totale a Dio mediante i consigli evangelici della povertà, della castità e della obbedienza, e collaborano alla pastorale d’insieme di ognuna delle Chiese particolari, secondo le direttive del documento Mutuae relationes; ci sono laici che esprimono con la loro vita nel mondo la presenza efficace della Chiesa per un’autentica promozione umana e sociale della Nazione, memori della seguente indicazione del Concilio Vaticano II: «L’apostolato dell’ambiente sociale, cioè l’impegno nel permeare di spirito cristiano la mentalità e i costumi, le leggi e le strutture della comunità in cui uno vive, è un compito e un obbligo talmente proprio dei laici, che nessun altro può mai debitamente compierlo al loro posto. In questo campo i laici possono esercitare l’apostolato del simile verso il simile. Qui completano la testimonianza della vita con la testimonianza della parola. Qui nel campo del lavoro, della professione, dello studio, dell’abitazione, del tempo libero o delle associazioni sono i più adatti ad aiutare i propri fratelli» (Apostolicam actuositatem, n. 13). In questa consonanza di intenti di vivere la comunione nella Chiesa e di contribuire alla sua presenza nel mondo, si aprono molteplici spazi per iniziative adeguate, in particolare per quanti desiderano vivere l’esperienza del volontariato negli ambiti della catechesi, della cultura, dell’assistenza amorevole ai fratelli poveri, emarginati, invalidi e anziani. Nel rallegrarmi vivamente per tutto ciò, vi esorto a proseguire nell’impegno di una costante e metodica evangelizzazione, ben convinti che una formazione autenticamente cristiana della coscienza sia di estremo e indispensabile aiuto anche per la maturazione sociale e per il vero ed equilibrato benessere del Portogallo. Con viva fiducia in Dio, non perdete il coraggio dinanzi a situazioni che suscitano perplessità e vi causano amarezza, come certe parrocchie stagnanti e bisognose di ravvivare la fede battesimale, che risvegli nell’individuo e nella comunità un autentico spirito di missione; parrocchie a volte incentrate e chiuse nel “l o ro ” parroco, alle quali la carenza di sacerdoti impone, tra l’altro, di aprirsi a una logica più dinamica ed ecclesiale nella comunione; alcuni sacerdoti che, tentati dall’attivismo pastorale, non coltivano la preghiera e la profondità spirituale, essenziali per l’evangelizzazione; un gran numero di adolescenti e giovani che abbandona la pratica cristiana, dopo il sacramento della Confermazione; un vuoto nell’offerta parrocchiale di formazione cristiana giovanile post- Confermazione, che tanto potrebbe impedire future situazioni familiari irregolari; infine, il bisogno di una conversione personale e pastorale di pastori e fedeli finché tutti possano dire con verità e gioia: la Chiesa è la nostra casa. Miei amati fratelli, non può non preoccupare tutti noi questa fuga della gioventù, che avviene proprio nell’età in cui le è dato prendere in mano le redini della sua vita. Chiediamoci: la gioventù va via, perché decide così? Decide così, perché non le interessa l’offerta ricevuta? Non le interessa l’offerta, perché non dà risposta ai problemi e agli interrogativi che oggi la preoccupano? O non sarà semplicemente perché da tempo il vestito della Prima Comunione ha smesso di servirle e lo ha cambiato? È possibile che la comunità cristiana insista a farglielo indossare? Il suo Amico di allora, Gesù, è a sua volta cresciuto, ha preso la vita nelle sue mani, con qualche incomprensione con i suoi genitori (cfr. Lc 2, 48-52), e ha abbracciato i disegni del Cielo su di Lui, portandoli a compimento con l’abbandono completo nelle mani del Padre (cfr. Lc 23, 46). Ricordo che, in un momento di crisi e di esitazione che coinvolse i suoi amici e seguaci e che portò molti di loro a disertare, Gesù chiese ai dodici apostoli: «Forse anche voi volete andarvene? ». Gli rispose Simon Pietro: «Signore, da chi andremo? Tu hai parole di vita eterna; noi abbiamo creduto e conosciuto che tu sei il Santo di Dio» (Gv 6, 67-69). La proposta di Gesù li aveva convinti; oggi la nostra proposta di Gesù non convince. Penso che nei testi preparati per i successivi anni di catechesi, la figura e la vita di Gesù siano ben presentate; forse più difficile è diventato incontrarLo nella testimonianza di vita del catechista e della comunità intera che lo invia e lo sostiene, fondata sulle parole di Gesù: «Io sono con voi tutti i giorni, fino alla fine del mondo» (Mt 28, 20). Che Lui ci sia, non ci sono dubbi; ma dov’è che lo nascondiamo? Perché se la proposta è Gesù Cristo crocifisso e redivivo nel catechista e nella comunità, se Gesù si mette in cammino con il giovane e parla al suo cuore, quest’ultimo sicuramente s’infiamma (cfr. Lc 22, 15 e 32). Gesù cammina con il giovane... Purtroppo il pensiero dominante attuale, che vede l’essere umano come apprendista-creatore di se stesso e totalmente ebbro di libertà, ha difficoltà ad accettare il concetto di vocazione, nel senso alto di una chiamata che giunge alla persona dal Creatore del suo stesso essere e della sua stessa vita. La verità, però, è che Dio, nel crearci, indubbiamente liberi nell’esistenza, predispose in un certo senso la nostra essenza, pensandola e dotandola delle capacità richieste, per una missione concreta al servizio dell’umanità che Egli ama. E ci ama troppo per abbandonarci al caso e alla mancanza di bene. Pertanto la nostra felicità dipende pienamente dal nostro saper individuare e seguire la chiamata a tale missione. Questa libertà predisposta dal più profondo del nostro essere per un bene determinato, il mondo la definisce una contraddizione e, nel suo calcolo delle probabilità, non vede per noi alcuna possibilità di andare a finire nel posto esatto che un Essere infinito ci avrebbe attribuito. Ma il mondo si inganna perché Egli «ha guardato l’umiltà della sua serva e in lei ha fatto grandi cose». Queste parole traducono la certezza di una giovane benedetta, ma che vedeva la stessa misericordia che Dio rivolgeva a lei estendersi «di generazione in generazione su quelli che lo temono» (cfr. Lc 1, 48-50). E non c’è alcun motivo perché una persona, chiunque essa sia, si autoescluda da questo tenero sguardo di Dio sulla sua umile creatura. «Si dimentica forse una donna del suo bambino, così da non commuoversi per il figlio delle sue viscere? Anche se queste donne si dimenticassero, io invece non ti dimenticherò mai» (Is 49, 15). Gesù cammina con il giovane... Al catechista e a tutta la comunità viene chiesto di passare dal modello scolastico a quello catecumenale: non solo conoscenze cerebrali, ma anche incontro personale con Gesù Cristo, vissuto in una dinamica vocazionale secondo la quale Dio chiama e l’e s s e re umano risponde. «Il Signore dal seno materno mi ha chiamato... mi ha plasmato suo servo... per ricondurre a lui Giacobbe e a lui riunire Israele, — poiché ero stato stimato dal Signore e Dio era stato la mia forza» (Is 49, 1 e 5). La Chiesa in Portogallo ha bisogno di giovani capaci di dare una risposta a Dio che li chiama, per tornare ad avere famiglie cristiane stabili e feconde, per tornare ad avere consacrati e consacrate che scambino tutto per il tesoro del Regno di Dio, per tornare ad avere sacerdoti immolati con Cristo per i loro fratelli e le loro sorelle. Abbiamo tanti giovani disoccupati mentre il Regno dei Cieli scarseggia di operai e di servitori... Dio non può volere questo. Che cosa sta succedendo allora? «Perché nessuno ci ha presi a giornata» (Mt 20, 7). Dobbiamo dare una dimensione vocazionale a un percorso catechetico globale che possa ricoprire le varie età dell’essere umano, di modo che tutte siano una risposta al buon Dio che chiama: ancora nel seno della madre, ha chiamato alla vita e il nostro essere si è affacciato alla vita; e una volta terminata la sua tappa terrena, dovrà rispondere con tutto il suo essere a questa chiamata: «Servo buono e fedele... prendi parte alla gioia del tuo padrone» (Mt 25, 21). Non vi manca, amati Fratelli, zelo apostolico e neppure spirito d’iniziativa per raggiungere questo obiettivo, con l’impiego dello sforzo umano legato all’efficacia dell’ausilio divino. Gesù ha detto: «Anche chi crede in me, compirà le opere che io compio» (Gv 14, 12), nonostante la nostra totale indegnità, malgrado la nostra debolezza umana. Anche gli Apostoli erano uomini deboli. Anche Pietro era un uomo debole. Che ci sia, pertanto, uno sforzo di collaborazione, cioè dell’intera Chiesa, perché è stato alla Chiesa che il Signore ha assicurato la sua costante presenza e la sua infallibile assistenza. Dopo questa visita ad limina, riprendete con impegno rinnovato il vostro cammino, portando a tutti la certezza della mia fraterna solidarietà ed empatia. Condivido le vostre inquietudini e le vostre speranze, le vostre preoccupazioni e le vostre gioie; con voi e per voi invoco la Vergine Santissima, verso la Quale non smettete di tendere il vostro cuore con amore filiale. E non dimenticatevi di pregare per me. Vi confermo il mio affetto fraterno e vi imparto la Benedizione Apostolica, con la quale intendo abbracciare anche i fedeli affidati alle vostre cure pastorali.

© Osservatore Romano - 7-8 settembre 2015