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Catechesi Santo Padre

mozambico giovaniAlle ore 11.00 di questa mattina, dopo aver lasciato il Palazzo Ponta Vermelha, dove si è svolto l’Incontro con le Autorità, con i Membri del Corpo Diplomatico e i Rappresentanti della Società Civile, il Santo Padre Francesco è giunto in papamobile al Pavillon Maxaquene per l’Incontro interreligioso alla presenza di circa 6.000 giovani.

Al Suo arrivo il Papa è stato accolto dall’Arcivescovo di Maputo, S.E. Mons. Francisco Chimoio, O.F.M. Cap., che lo ha accompagnato all’ingresso principale del padiglione.

Dopo il canto iniziale, gli interventi musicali, le coreografie e le danze di giovani del consiglio cristiano, di giovani musulmani, di giovani indù e di giovani cattolici e di un gruppo del Consiglio delle Religioni del Mozambico (Corem), un giovane appartenente alla società civile ha rivolto un breve saluto al Santo Padre e gli ha consegnato un dono. Quindi Papa Francesco ha pronunciato il Suo discorso.

Al termine il Santo Padre ha salutato i leader religiosi e un gruppo di giovani ed è rientrato alla Nunziatura Apostolica di Maputo.

Pubblichiamo di seguito il discorso che il Papa ha rivolto ai presenti nel corso dell’Incontro:

Discorso del Santo Padre

Muito obrigado pelas vossas palavras de boas vindas; muito obrigado também por todas e cada uma das representações artísticas que vós realizastes. Obrigado! Muito obrigado! Sentai-vos, ponde-vos à vontade!

Vós me agradecíeis por ter reservado tempo para estar convosco. Que pode haver de mais importante para um pastor do que estar com os seus? Que há de mais importante para um pastor do que encontrar-se com os seus jovens? Vós sois importantes! Precisais de o saber, precisais de acreditar nisto: vós sois importantes! Mas revestidos de humildade. Porque não sois apenas o futuro de Moçambique, ou da Igreja e da humanidade; vós sois o presente, sois o presente de Moçambique: com tudo o que sois e fazeis, já estais a contribuir para ele com o melhor que hoje podeis dar. Sem o vosso entusiasmo, os vossos cânticos, a vossa alegria de viver, que seria desta terra? Sem os jovens, que seria desta terra? Ver-vos cantar, sorrir, dançar, no meio de todas as dificuldades que viveis – como justamente nos contavas tu – é o melhor sinal de que vós, jovens, sois a alegria desta terra, a alegria de hoje. A alegria de hoje, a esperança de amanhã.

A alegria de viver é uma das vossas caraterísticas principais, a caraterística dos jovens é a alegria de viver, como se pode sentir aqui! Alegria partilhada e celebrada que reconcilia e se torna no melhor antídoto capaz de desmentir todos aqueles que vos querem dividir – atenção àqueles que vos querem dividir! –, que vos querem fragmentar, que vos querem contrapor. Como faz falta, nalgumas regiões do mundo, a vossa alegria de viver! Como faz falta, nalgumas regiões do mundo, a alegria de estar unidos, de viver juntos, de diversas confissões religiosas, mas filhos da mesma terra, unidos.

Obrigado por estarem aqui as diferentes confissões religiosas. Obrigado por vos animardes a viver o desafio da paz e a celebrá-la hoje como família que somos, incluindo aqueles que, não fazendo parte de nenhuma tradição religiosa, também estão a participar... Estais a fazer a experiência de que todos somos necessários: com as nossas diferenças, mas necessários. As nossas diferenças são necessárias. Vós juntos – assim como estais – sois o palpitar deste povo, onde cada qual desempenha um papel fundamental, num único projeto criador, para escrever uma nova página da história, uma página cheia de esperança, cheia de paz, cheia de reconciliação. E eu pergunto-vos: Quereis escrever esta página? [respondem: sim!] Quando entrei, cantastes: «reconciliação. Podeis repeti-lo? [todos: Reconciliação! Reconciliação! Reconciliação!] Obrigado.

Fizestes-me duas perguntas, mas acho que estão ligadas. Uma delas: Como fazer para que os sonhos dos jovens se tornem realidade? A outra: Como fazer para que os jovens se envolvam nos problemas que afligem o país? Vós, hoje, apontastes-nos o caminho e ensinastes-nos como responder a estas perguntas.

Exprimistes com a arte, com a música, com a riqueza cultural que mencionavas com tanta ufania… exprimistes uma parte dos vossos sonhos e realidades; em todas elas, se mostram modos diferentes de assomar-se ao mundo e fixar o horizonte: sempre com olhos cheios de esperança, cheios de futuro e cheios de ilusões. Vós, jovens, caminhais com dois pés como os adultos, de igual modo, mas, ao contrário dos adultos que os mantêm paralelos, vós colocais um atrás do outro, pronto a arrancar, a partir. Vós tendes tanta força, sois capazes de olhar com tanta esperança! Sois uma promessa de vida, que traz em si um certo grau de tenacidade (cf. Francisco, Exort. ap. pós-sinodal Christus vivit, 139), que não deveis perder nem deixar que vo-la roubem.

Como realizar os sonhos, como contribuir para a solução dos problemas do país? Gostaria de vos dizer: não deixeis que vos roubem a alegria. Não deixeis que vos roubem a alegria. Não deixeis de cantar e expressar-vos de acordo com todo o bem que aprendestes das vossas tradições. Que não vos roubem a alegria! Como vos disse, há muitas maneiras de olhar o horizonte, o mundo, de olhar o presente e o futuro. Há muitos modos. Mas é preciso acautelar-se de duas atitudes que matam os sonhos e a esperança. Quais são? A resignação e a ansiedade. Duas atitudes que matam os sonhos e a esperança. São grandes inimigas da vida, porque normalmente nos impelem por um caminho fácil, mas de derrota; e a portagem que pedem para passar é muito cara; é muito cara. Paga-se com a própria felicidade e até com a própria vida. Resignação e ansiedade: duas atitudes que roubam a esperança. Quantas promessas de felicidade vazias, que acabam por mutilar vidas! Certamente conheceis amigos, conhecidos – ou pode mesmo ter acontecido convosco – que, em momentos difíceis, dolorosos, quando parece que tudo lhes cai em cima, ficam prostrados na resignação. É preciso estar muito atento, porque esta atitude «faz com que te encaminhes pela estrada errada. Quando tudo parece estar parado e estagnante, quando os problemas pessoais nos preocupam, as dificuldades sociais não encontram as devidas respostas, não é bom dar-se por vencido» (Ibid., 141). Não é bom dar-se por vencido! Repeti: Não é bom dar-se por vencido [todos: Não é bom dar-se por vencido!].

Sei que a maioria de vós gosta muito de futebol. É verdade? Recordo um grande jogador destas terras que aprendeu a não se resignar: Eusébio da Silva, a pantera negra. Começou a sua vida desportiva no clube desta cidade. As graves dificuldades económicas da sua família e a morte prematura do seu pai não impediram os seus sonhos; a sua paixão pelo futebol fê-lo perseverar, sonhar e continuar para diante... chegando a marcar 77 golos para este clube de Maxaquene! Não faltavam razões para se resignar… e ele não se resignou.

O seu sonho e vontade de jogar lançaram-no para diante, mas igualmente importante foi encontrar com quem jogar. Bem sabeis que, numa equipa, não são todos iguais, nem fazem as mesmas coisas ou pensam da mesma maneira. Não. Cada jogador tem as suas caraterísticas, como podemos descobrir e desfrutar neste encontro: vimos de tradições diferentes e inclusive podemos falar línguas diversas, mas isto não impediu de nos encontrarmos. Muito se sofreu e continua a sofrer, porque alguns se julgam no direito de determinar quem pode «jogar» ou não: quem deve ficar «fora do campo». Um direito injusto. E passam a vida dividindo e contrapondo, e a fazer a guerra. Hoje vós, queridos amigos, sois um exemplo, sois um testemunho de como devemos agir. Testemunho de unidade, de reconciliação, de esperança. Como uma equipa de futebol. Como empenhar-se pelo país? Tal como estais a fazer agora, permanecendo unidos independentemente daquilo que vos possa diferenciar, procurando sempre a oportunidade de realizar os sonhos por um país melhor, mas… juntos. Juntos. Como é importante não esquecer que a inimizade social destrói. Juntos! [todos: a inimizade social destrói]. E uma família destrói-se pela inimizade. Um país destrói-se pela inimizade. Juntos! [todos: a inimizade social destrói]. O mundo destrói-se pela inimizade. E a inimizade maior é a guerra. Porque são incapazes de se sentar e falar. Sede capazes de criar a amizade social (cfr ibid., 169).

Recordo o provérbio que diz: «Se quiseres chegar depressa, caminha sozinho; se quiseres chegar longe, vai acompanhado». [Repetimo-lo: «Se quiseres chegar depressa, caminha sozinho; se quiseres chegar longe, vai acompanhado»] Trata-se sempre de sonhar juntos, como estais a fazer hoje. Sonhai com os outros, nunca contra os outros; sonhai como sonhastes e preparastes este encontro: todos unidos e sem barreiras. Isto faz parte da «nova página da história» de Moçambique.

Futebol, equipes, jogar juntos. Jogar juntos ensina-nos que, inimiga dos sonhos e do compromisso, não é apenas a resignação, mas também a ansiedade. Resignação e ansiedade. A ansiedade: esta «pode tornar-se uma grande inimiga, quando leva a render-nos, porque descobrimos que os resultados não são imediatos. Os sonhos mais belos conquistam-se com esperança, paciência e determinação, renunciando às pressas. Ao mesmo tempo, é preciso não se deixar bloquear pela insegurança: não se deve ter medo de arriscar e cometer erros» (Ibid., 142). É normal! As coisas mais belas formam-se com o tempo e, se algo não te saiu bem à primeira, não tenhas medo de voltar a tentar, uma vez e outra. Não tenhas medo de te equivocar! Podemos equivocar-nos mil vezes, mas não caiamos no erro de parar porque há coisas que não correram bem à primeira. O pior erro seria abandonar, por causa da ansiedade, os sonhos e a vontade de um país melhor.

Por exemplo, tendes diante dos olhos aquele belo testemunho dado por Maria Mutola, que aprendeu a perseverar, a continuar a tentar, apesar de não ver cumprido o seu anseio da medalha de ouro nos três primeiros Jogos Olímpicos que disputou; sucessivamente, na quarta tentativa, esta atleta dos 800 metros alcançou a sua medalha de ouro nas Olimpíadas de Sidney. Tentar, tentar. A ansiedade não a deixou absorta em si mesma; os seus nove títulos mundiais não a fizeram esquecer-se do seu povo, das suas raízes, mas continuou a olhar pelas crianças necessitadas de Moçambique. Como o desporto nos ensina a perseverar nos nossos sonhos!

Gostaria de acrescentar outro elemento importante. Não à ansiedade, não à resignação e aora outro elemento importante: não deixem de fora os vossos idosos.

Também os vossos idosos podem ajudar para que os vossos sonhos e aspirações não estiolem, não sejam arrebatados pelo primeiro vento da dificuldade ou da impotência. Os idosos são as nossas raízes. Podemos dizê-lo todos? Os idosos são as nossas raízes. As gerações anteriores têm muito a dizer-vos, a propor-vos. É verdade que às vezes nós, os idosos, o fazemos de forma impositiva, como advertência, metendo medo. É verdade, às vezes metemos medo ou pretendemos que façais, digais e vivais exatamente como nós. É errado. Vós tereis de fazer a vossa própria síntese, mas escutando, valorizando aqueles que vos precederam. Não foi isto o que fizestes com a vossa música? Ao ritmo tradicional de Moçambique, a marrabenta, incorporastes outros modernos, e nasceu o pandza. O que escutáveis, o que víeis cantar e dançar a vossos pais e avós, assumiste-lo como próprio. Este é o caminho que vos proponho: um caminho «feito de liberdade, entusiasmo, criatividade, horizontes novos, mas cultivando ao mesmo tempo as raízes que nutrem e sustentam» (Ibid., 184). Os idosos são as nossas raízes [todos: Os idosos são as nossas raízes].

Todos estes são pequenos elementos que podem dar-vos o apoio necessário para não vos encolherdes nos momentos de dificuldade, mas abrirdes uma brecha de esperança; brecha que vos ajudará a pôr em jogo a vossa criatividade e encontrar novos caminhos e espaços para responder aos problemas com o gosto da solidariedade.

Muitos de vós nasceram sob o signo da paz, uma paz laboriosa que passou por momentos diversos: uns mais claros e outros de provação. A paz é um processo que também vós sois chamados a fazer avançar, estendendo sempre as vossas mãos especialmente àqueles que estão a passar momentos difíceis. Grande é o poder da mão estendida e da amizade que se joga no concreto! Penso no sofrimento daqueles jovens que chegaram cheios de sonhos à procura de trabalho na cidade, e hoje estão sem teto, sem família e sem encontrar uma mão amiga. Como é importante aprendermos a ser uma mão amiga e estendida! Este gesto, o gesto da mão estendida. Todos juntos! O gesto da mão estendida [todos: o gesto da mão estendida]. Obrigado! Procurai crescer na amizade também com aqueles que pensam de maneira diferente, para que a solidariedade cresça entre vós e se torne na melhor arma para transformar a história. A solidariedade é a melhor arma para transformar a história.

Mão estendida, que nos lembra também a necessidade de nos comprometermos com o cuidado da nossa Casa Comum. Sem dúvida alguma, fostes abençoados com uma beleza natural estupenda: florestas e rios, vales e montanhas e tantas praias lindas.

Infelizmente, há poucos meses sofrestes o embate de dois ciclones, vistes as consequências do descalabro ecológico em que vivemos. Muitos abraçaram já o imperioso desafio de proteger a nossa Casa, contando-se entre eles tantos jovens. Temos um desafio: proteger a nossa Casa Comum.

Permiti que vos comunique uma última reflexão: Deus ama-vos e, com esta afirmação, estamos de acordo todas as tradições religiosas. «Para Ele, és realmente valioso; tu não és insignificante. Importa-Se contigo, porque és obra das suas mãos. (…) Porque te ama. Procura ficar um momento em silêncio, deixando-te amar por Ele. Procura calar todas as vozes e alarido interior, e para um momento nos seus braços amorosos» (Ibid., 115). Façamo-lo juntos agora [permanecem uns momentos em silêncio].

«É o amor do Senhor, que se entende mais de levantamentos que de quedas, mais de reconciliação que de proibições, mais de dar nova oportunidade que de condenar, mais de futuro que de passado» (Ibid., 116).

Eu sei que vós acreditais neste amor que torna possível a reconciliação.

Muito obrigado e, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim.

Que Deus vos abençoe.


Traduzione in lingua italiana

Tante grazie per le vostre parole di benvenuto! E grazie anche per tutte ed ognuna delle rappresentazioni artistiche che avete realizzato. Molte grazie, grazie! Sedetevi, mettetevi comodi.

Mi avete ringraziato perché ho riservato del tempo per stare con voi. Cosa può esserci di più importante per un pastore che stare con la sua gente? Cosa c’è di più importante per un pastore che incontrarsi con i suoi giovani? Voi siete importanti! Avete bisogno di saperlo, avete bisogno di crederci: voi siete importanti! Però con umiltà. Perché non siete solo il futuro del Mozambico, o della Chiesa e dell’umanità; voi siete il presente, siete il presente del Mozambico, con tutto ciò che siete e fate, state già contribuendo al presente con il meglio che oggi potete dare. Senza il vostro entusiasmo, le vostre canzoni, la vostra gioia di vivere, che sarebbe di questa terra? Senza i giovani, cosa sarebbe di questa terra? Vedervi cantare, sorridere, ballare, in mezzo a tutte le difficoltà che attraversate – come giustamente ci raccontavi tu – è il miglior segno del fatto che voi giovani siete la gioia di questa terra, la gioia di oggi, di oggi. La speranza del domani.

La gioia di vivere è una delle vostre principali caratteristiche, la caratteristica dei giovani, la gioia di vivere, come si può sentire qui! Gioia condivisa e celebrata, che riconcilia, e diventa il miglior antidoto per smentire tutti quelli che vi vogliono dividere – attenzione: che vi vogliono dividere! –, che vi vogliono frammentare, che vi vogliono contrapporre. Come si sente, in alcune regioni del mondo, la mancanza della vostra gioia di vivere! Come si sente, in alcune regioni del mondo, la gioia di essere uniti, di vivere insieme, diverse confessioni religiose, ma figli della stessa terra, uniti.

Grazie di essere qui alle diverse confessioni religiose. Grazie perché vi incoraggiate a vivere la sfida della pace e a celebrarla oggi insieme come famiglia, compresi coloro che, pur non appartenendo ad alcuna tradizione religiosa, sono venuti per partecipare... Così sperimentate che tutti siamo necessari: con le nostre differenze, ma necessari. Le nostre differenze sono necessarie. Insieme, come vi trovate adesso, voi siete il palpito di questo popolo, dove ognuno svolge un ruolo fondamentale, in un unico progetto creativo, per scrivere una nuova pagina di storia, una pagina piena di speranza, piena di pace, piena di riconciliazione. Vi chiedo: volete scrivere questa pagina? [rispondono: sì!] Quando sono entrato, avete cantato “riconciliazione”. Volete ripeterlo? [tutti: Riconciliazione! Riconciliazione! Riconciliazione!] Grazie!

Mi avete fatto due domande, ma penso che siano collegate. Una era: come fare perché i sogni dei giovani diventino realtà? E l’altra: come fare perché i giovani si coinvolgano nei problemi che affliggono il Paese? Voi, oggi, ci avete indicato la strada e ci avete insegnato come rispondere a queste domande.

L’avete detto con l’arte, con la musica, con la ricchezza culturale di cui hai parlato con tanto orgoglio…, avete espresso una parte dei vostri sogni e delle vostre realtà; in ognuna di quelle espressioni, si presentano modi diversi di affacciarvi sul mondo e guardare l’orizzonte: sempre con occhi colmi di speranza, pieni di futuro e pieno di desideri. Voi, giovani, camminate con due piedi come gli adulti, nello stesso modo; ma, a differenza degli adulti che li tengono paralleli, ne avete sempre uno davanti all’altro, pronti a partire, a scattare. Avete tanta forza, siete capaci di guardare con tanta speranza! Siete una promessa di vita, che porta in sé una tenacia (cfr Esort. ap. postsin. Christus vivit, 139), che non dovete perdere né lasciarvi rubare.

Come realizzare i sogni, come contribuire a risolvere i problemi del Paese? Mi piacerebbe dirvi: non lasciate che vi rubino la gioia! Non smettete di cantare e di esprimervi secondo tutto il bene che avete imparato dalle vostre tradizioni. Che non vi rubino la gioia! Come vi ho detto, ci sono molti modi di guardare l'orizzonte, il mondo, di guardare il presente e il futuro, ci sono molti modi. Ma bisogna stare attenti a due atteggiamenti che uccidono i sogni e la speranza. Quali sono? La rassegnazione e l’ansia. Due atteggiamenti che uccidono i sogni e la speranza. Sono grandi nemiche della vita, perché di solito ci spingono su un percorso facile ma di sconfitta; e il pedaggio che chiedono per passare è molto caro! E’ molto caro. Si paga con la propria felicità e persino con la propria vita. Rassegnazione e ansia: due atteggiamenti che rubano la speranza. Quante promesse vuote di felicità, che finiscono per mutilare delle vite! Sicuramente sapete di amici, conoscenti – o potrebbe essere capitato a voi – che, in momenti difficili, dolorosi, quando tutto sembra caderti addosso, restano schiacciati dalla rassegnazione. Bisogna stare molto attenti, perché questo atteggiamento «fa prendere la strada sbagliata. Quando tutto sembra fermo e stagnante, quando i problemi personali ci inquietano, i disagi sociali non trovano le dovute risposte, non è buono darsi per vinti” (ibid., 141). Non è buono darsi per vinti! Ripetete: non è buono darsi per vinti. [tutti: non è buono darsi per vinti!]

So che alla maggior parte di voi piace molto il calcio. È vero? Ricordo un grande giocatore di queste terre che ha imparato a non rassegnarsi: Eusebio da Silva, la “pantera nera”. Iniziò la sua vita sportiva nella squadra di questa città. Le gravi difficoltà economiche della sua famiglia e la morte prematura di suo padre non impedirono i suoi sogni; la sua passione per il calcio lo ha fatto perseverare, sognare e andare avanti... arrivando a segnare 77 reti per questo club di Maxaquene! Non mancavano i motivi per rassegnarsi... e lui non si rassegnò.

Il suo sogno e la sua voglia di giocare lo hanno spinto avanti, ma è stato altrettanto importante trovare con chi giocare. Sapete bene che, in una squadra, non sono tutti uguali, non fanno tutti le stesse cose né pensano tutti allo stesso modo. No. Ogni giocatore ha le sue caratteristiche, come possiamo scoprire e godere in questo incontro: veniamo da tradizioni diverse e possiamo persino parlare lingue diverse, ma questo non ci ha impedito di incontrarci. Già molto si è sofferto e si continua a soffrire, perché alcuni si credono in diritto di decidere chi può “giocare” – no! – e chi invece deve restare “fuori dal campo” - è un diritto ingiusto! -, alcuni che passano la vita a creare divisione e contrapposizione, e a fare la guerra. Oggi voi, cari amici, siete un esempio, siete una testimonianza di come dobbiamo agire. Testimoni di unità, di riconciliazione, di speranza. Come una squadra di calcio. Come impegnarsi per il Paese? Proprio come state facendo ora, restando uniti, aldilà di qualsiasi cosa vi possa differenziare, cercando sempre l’opportunità per realizzare i sogni di un Paese migliore, ma... insieme. Insieme. Com’è importante non dimenticare che l’inimicizia sociale distrugge. Insieme! [tutti: l’inimicizia sociale distrugge!] E una famiglia si distrugge per l’inimicizia. Un Paese si distrugge per l’inimicizia. Insieme! [tutti: l’inimicizia sociale distrugge!] Il mondo si distrugge per l’inimicizia. E l’inimicizia più grande è la guerra. Perché sono incapaci di sedersi e parlare. Siate capaci di creare l’amicizia sociale.

Ricordo il proverbio che dice: “Se vuoi arrivare alla svelta, cammina da solo; se vuoi arrivare lontano, vai in compagnia”. Lo ripetiamo. [tutti: se vuoi arrivare alla svelta, cammina da solo; se vuoi arrivare lontano, vai in compagnia.] Si tratta sempre di sognare insieme, come state facendo oggi. Sognate con gli altri, mai contro gli altri; sognate come avete sognato e preparato questo incontro: tutti uniti e senza barriere. Questo fa parte della “nuova pagina della storia” del Mozambico.

Giocare insieme ci insegna che non solo la rassegnazione è nemica dei sogni, ma anche l’ansia. Rassegnazione e ansia. L’ansia: questa «può diventare una grande nemica quando ci porta ad arrenderci perché scopriamo che i risultati non sono immediati. I sogni più belli si conquistano con speranza, pazienza e impegno rinunciando alla fretta. Nello stesso tempo, non bisogna bloccarsi per insicurezza, non bisogna avere paura di rischiare e di commettere errori» (ibid., 142), è normale. Le cose più belle maturano col tempo e, se qualcosa non ti è andato bene la prima volta, non aver paura di riprovare ancora e ancora e ancora. Non aver paura di sbagliare! Possiamo sbagliare mille volte, ma non cadiamo nell’errore di fermarci perché qualcosa non è andato bene la prima volta. L’errore peggiore sarebbe quello di abbandonare, a causa dell’ansia, abbandonare i sogni e la voglia di un Paese migliore.

Ad esempio, avete davanti agli occhi la bella testimonianza offerta da Maria Mutola, che ha imparato a perseverare, a continuare a provare, nonostante restasse incompiuto il suo desiderio di ottenere la medaglia d’oro nei primi tre Giochi Olimpici a cui ha partecipato; successivamente, al quarto tentativo, questa atleta degli 800 metri ha ottenuto la sua medaglia d’oro alle Olimpiadi di Sydney. Tentare, tentare. L’ansia non l’ha portata a chiudersi in sé stessa; i suoi nove titoli mondiali non le hanno fatto dimenticare il suo popolo, le sue radici, ma ha continuato a prendersi cura dei bambini bisognosi del Mozambico. Come lo sport ci insegna a perseverare nei nostri sogni!

Vorrei aggiungere un altro elemento importante. No all’ansia, no alla rassegnazione, e ora un altro elemento importante: non escludete i vostri anziani.

Anche i vostri anziani possono aiutare affinché i vostri sogni e le vostre aspirazioni non inaridiscano, non siano spazzati via dal primo vento di difficoltà o di impotenza. Gli anziani sono le nostre radici. Lo diciamo? [tutti: Gli anziani sono le nostre radici. Gli anziani sono le nostre radici]

Le generazioni precedenti hanno molto da dirvi, da proporvi. È vero che a volte noi, gli anziani, lo facciamo in modo autoritario, come ammonimento, incutendo paura. È vero, a volte mettiamo paura oppure abbiamo la pretesa che voi facciate, parliate e viviate proprio come noi. È sbagliato. Voi invece dovrete fare la vostra sintesi, ma ascoltando, valorizzando quelli che vi hanno preceduto. Non avete fatto così con la vostra musica? Al ritmo tradizionale del Mozambico, la “marrabenta”, ne avete mescolati altri moderni e così è nato il “pandza”. Quello che avete ascoltato, che avete visto cantare e ballare dai vostri genitori e dai vostri nonni, lo avete assunto come proprio. Questa è la strada che vi propongo: una «strada, fatta di libertà, di entusiasmo, di creatività, di orizzonti nuovi, ma coltivando nello stesso tempo le radici che alimentano e sostengono» (ibid., 184). Gli anziani sono le nostre radici. [tutti: gli anziani sono le nostre radici]

Tutti questi sono piccoli elementi che vi possono dare il supporto di cui avete bisogno per non chiudervi nei momenti di difficoltà, ma aprirvi una breccia di speranza; una breccia che vi aiuterà a mettere in campo la vostra creatività e a trovare nuove strade e nuovi spazi per rispondere ai problemi con il gusto della solidarietà.

Molti di voi sono nati sotto il segno della pace, una pace travagliata che ha attraversato momenti diversi: alcuni più sereni e altri di prova. La pace è un processo che anche voi siete chiamati a portare avanti, stendendo sempre le vostre mani soprattutto a coloro che passano momenti difficili. Grande è il potere della mano tesa e dell’amicizia tradotta in gesti concreti! Penso alla sofferenza di quei giovani carichi di sogni che sono venuti a cercare lavoro in città, e oggi si trovano senza casa, senza famiglia e senza una mano amica. Com’è importante imparare ad essere una mano amica e tesa! Questo gesto, il gesto della mano tesa. Tutti insieme! Il gesto della mano tesa. [Tutti: il gesto della mano tesa]. Grazie. Cercate di crescere nell’amicizia anche con coloro che la pensano diversamente, in modo che la solidarietà cresca tra di voi e diventi l’arma migliore per trasformare la storia. La solidarietà è la migliore arma per trasformare la storia.

Una mano tesa, che ci ricorda anche la necessità di impegnarci nella cura della nostra Casa Comune. Indubbiamente siete stati benedetti con stupende bellezze naturali: foreste e fiumi, vallate e montagne e tante belle spiagge.

Purtroppo, qualche mese fa avete subito la furia di due cicloni, avete visto le conseguenze dello sfacelo ecologico in cui viviamo. In molti, compresi tanti giovani, hanno già abbracciato la sfida improrogabile di proteggere la nostra casa. Abbiamo una sfida: proteggere la nostra casa comune.

Consentitemi di lasciarvi un ultimo pensiero: Dio vi ama; e su questa affermazione siamo d’accordo tutte le tradizioni religiose. «Per Lui tu sei realmente prezioso, non sei insignificante, sei importante per Lui, perché sei opera delle sue mani.

Perché ti ama. Cerca di rimanere un momento in silenzio lasciandoti amare da Lui. Cerca di mettere a tacere tutte le voci e le grida interiori e rimani un momento nel suo abbraccio d’amore» (Christus vivit, 115). Facciamolo insieme ora [rimangono un momento in silenzio].

È l’amore del Signore, che sa più di risalite che di cadute, di riconciliazione che di proibizione, di dare nuova opportunità che di condannare, di futuro che di passato» (ibid., 116).

So che voi credete in questo amore che rende possibile la riconciliazione.

Grazie! E, per favore, non vi dimenticatevi di pregare per me.

Dio vi benedica.

© http://press.vatican.va/content/salastampa/it/bollettino.html - 5 settembre 2019