Incontro privato con la Comunità di Xai-Xai, Incontro con i Vescovi, i Sacerdoti, i Religiosi e le Religiose, i Consacrati e Seminaristi, i Catechisti e gli Animatori nella Cattedrale dell’Immacolata Concezione e Visita privata alla Casa Matteo 25

la visita del Santo Padre a Casa Matteo 25 di MaputoAlle ore 15.00 di questo pomeriggio, prima di lasciare la Nunziatura Apostolica per recarsi alla Cattedrale dell’Immacolata Concezione per l’Incontro con i Vescovi, i Sacerdoti, i Religiosi e le Religiose, i Consacrati e Seminaristi, i Catechisti e gli Animatori, il Santo Padre Francesco ha incontrato in privato i membri della Comunità di Xai-Xai, una città portuale dell’Oceano Indiano situata nei pressi della foce del fiume Limpopo, che fu sommersa completamente dalla grave alluvione che colpì il Mozambico meridionale nel febbraio del 2000.

Al termine, il Papa ha incontrato una Delegazione della diocesi di Xai-Xai, con cui il Papa aveva avviato un gemellaggio tra diocesi al tempo in cui era Arcivescovo di Buenos Aires, guidata dal Vescovo, S.E. Mons. Lúcio Andrice Muandula, e dal Vescovo emerito, Em.mo Card. Júlio Duarte Langa.

Incontro con i Vescovi, i Sacerdoti, i Religiosi e le Religiose, i Consacrati e i Seminaristi, i Catechisti e gli Animatori nella Cattedrale dell’Immacolata Concezione

Alle ore 16.00, dopo l’incontro privato con i membri della Comunità di Xai-Xai, il Santo Padre Francesco ha lasciato la Nunziatura in auto e si è trasferito alla Cattedrale dell’Immacolata Concezione per l’Incontro con i Vescovi, i Sacerdoti, i Religiosi e le Religiose, i Consacrati e i Seminaristi, i Catechisti e gli Animatori nella Cattedrale dell’Immacolata Concezione.

Al Suo arrivo il Papa è stato accolto all’ingresso della Cattedrale dall’Arcivescovo di Maputo, S.E. Mons. Francisco Chimoio, O.F.M. Cap., e dal Parroco, che gli ha porto il crocifisso e l’acqua benedetta per l’aspersione. Quindi il Papa ha attraversato la navata centrale accompagnato da un canto e si è recato davanti al Santissimo. Giunto ai piedi dell’altare, un seminarista e un animatore gli hanno offerto un omaggio floreale che il Santo Padre ha deposto davanti all’immagine della Madonna, sostando in preghiera silenziosa.

Introdotto dal saluto di benvenuto di Mons. Hilário da Cruz Massinga, O.F.M., Vescovo di Quelimane e Presidente della Commissione per il Clero e la Vita Consacrata, dopo le brevi testimonianze di un sacerdote, di una religiosa e di un catechista e la consegna di un dono, Papa Francesco ha pronunciato il Suo discorso.

Al termine, prima della Benedizione, il Santo Padre ha recitato una preghiera per le vocazioni. Quindi, dopo aver salutato i vescovi presenti e posato per una foto di gruppo, ha lasciato la Cattedrale e si è trasferito in auto alla Casa Matteo 25.

Pubblichiamo di seguito il discorso che il Papa ha rivolto ai presenti nel corso dell’Incontro.


Discorso del Santo Padre

Amados irmãos Cardeais,

Irmãos Bispos,

Queridos sacerdotes, religiosas, religiosos e seminaristas,

Prezados catequistas e animadores de comunidades cristãs,

Caros irmãos e irmãs, boa tarde!

Agradeço a saudação de boas-vindas de Dom Hilário em nome de todos vós. Com afeto e grande reconhecimento, vos saúdo a todos. Sei que fizestes um grande esforço para estar aqui. Juntos, queremos renovar a resposta à chamada que uma vez fez arder os nossos corações e que a Santa Mãe Igreja nos ajudou a discernir e confirmar com a missão. Obrigado pelos vossos testemunhos, que falam das horas difíceis e sérios desafios que viveis, reconhecendo limitações e debilidades; mas também admirando a misericórdia de Deus. Fiquei contente ao ouvir dizer, da boca duma catequista: «Somos uma Igreja inserida num povo heroico». Obrigado! Um povo, que se entende de sofrimentos, mas mantém viva a esperança. Com este são orgulho pelo vosso povo, que convida a renovar a fé e a esperança, queremos renovar o nosso sim hoje. Como fica feliz a Santa Mãe Igreja ao ouvir-vos manifestar o amor ao Senhor e à missão que vos deu! Como ela fica contente ao ver o vosso desejo de voltar sempre ao «primitivo amor» (Ap 2, 4)! Peço ao Espírito Santo que vos dê sempre a lucidez de chamar a realidade pelo seu nome, a coragem de pedir perdão e a capacidade de aprender a ouvir o que Ele nos quer dizer.

Queridos irmãos e irmãs, gostemos ou não, somos chamados a encarar a realidade como ela é. Os tempos mudam e devemos reconhecer que muitas vezes não sabemos como inserir-nos nos novos tempos, nos novos cenários; podemos sonhar com as «cebolas do Egito» (Nm 11, 5), esquecendo que a Terra Prometida está à frente, não atrás, e neste lamento pelos tempos passados, vamo-nos petrificando, vamo-nos «mumificando». E não é bom! Um bispo, um sacerdote, uma irmã, um catequista mumificados não está bem! Em vez de professar uma Boa Nova, o que anunciamos é algo cinzento que não atrai nem inflama o coração de ninguém. Esta é a tentação.

Encontramo-nos nesta catedral, dedicada à Imaculada Conceição da Virgem Maria, para compartilhar como família aquilo que nos acontece; como família, que nasceu naquele sim que Maria deu ao anjo. Ela, nem por um momento olhou para trás. Quem narra estes acontecimentos do início do mistério da Encarnação é o evangelista Lucas. No seu modo de o fazer, talvez possamos descobrir resposta para as perguntas que fizestes hoje – bispos, sacerdotes, irmãs, catequistas… Faltaram as dos seminaristas! [riem] – e encontrar também o estímulo necessário para responder com a mesma generosidade e solicitude de Maria.

São Lucas apresenta em paralelo os acontecimentos relacionados com São João Batista e com Jesus Cristo; pretende que, no contraste, descubramos aquilo que se vai apagando do modo de ser de Deus e do nosso relacionar-nos com Ele no Antigo Testamento, e o novo modo que nos traz o Filho de Deus feito homem. Um modo no Antigo Testamento, que se apaga, e outro modo novo que traz Jesus.

É evidente que, nas duas Anunciações – a de João Batista e a de Jesus –, há um anjo. Entretanto, numa, a aparição dá-se na Judeia, na mais importante das cidades – Jerusalém – e não acontece num lugar qualquer, mas no templo e, dentro dele, no Santo dos Santos; dirige-se a um varão e… sacerdote. Ao passo que o anúncio da Encarnação é feito na Galileia, a mais remota e conflituosa das regiões, numa pequena aldeia – Nazaré –, numa casa e não na sinagoga ou lugar religioso, feito a uma leiga e... mulher. Não a um sacerdote, nem a um homem. O contraste é grande. Que mudou? Tudo. Tudo mudou. E, nesta mudança, está a nossa identidade mais profunda.

Perguntáveis que fazer com a crise de identidade sacerdotal, como lutar contra ela? A propósito, o que vou dizer relativamente aos sacerdotes é algo que todos (bispos, catequistas, consagrados, seminaristas) somos chamados a cultivar e fomentar. Di-lo-ei para todos.

Perante a crise de identidade sacerdotal, talvez tenhamos que sair dos lugares importantes e solenes; temos de voltar aos lugares onde fomos chamados, onde era evidente que a iniciativa e o poder eram de Deus. Nenhum de nós foi chamado para um lugar importante, nenhum. Às vezes sem querer, sem culpa moral, habituamo-nos a identificar a nossa atividade quotidiana de sacerdotes, religiosos, consagrados, leigos, catequistas com certos ritos, com reuniões e colóquios, onde o lugar que ocupamos na reunião, na mesa ou na aula é de hierarquia; parecemo-nos mais com Zacarias do que com Maria. «Creio não exagerar se dissermos que o sacerdote é uma pessoa muito pequena: a grandeza incomensurável do dom que nos é dado para o ministério relega-nos entre os menores dos homens. O sacerdote é o mais pobre dos homens – é verdade, o sacerdote é o mais pobre dos homens –, se Jesus não o enriquece com a sua pobreza; é o servo mais inútil, se Jesus não o trata como amigo; é o mais louco dos homens, se Jesus não o instrui pacientemente como fez com Pedro; o mais indefeso dos cristãos, se o Bom Pastor não o fortifica no meio do rebanho. [A fraqueza do sacerdote, do consagrado, do catequista…]. Não há ninguém menor que um sacerdote deixado meramente às suas forças; por isso, a nossa oração de defesa contra toda a cilada do Maligno é a oração da nossa Mãe: sou sacerdote, porque Ele olhou com bondade para a minha pequenez (cf. Lc 1, 48)» (Francisco, Homilia na Missa Crismal, 17 de abril de 2014). Irmãos e irmãs, voltar a Nazaré, voltar à Galileia pode ser o caminho para enfrentar a crise de identidade. Depois da sua ressurreição, Jesus convida-nos a voltar à Galileia, para O encontrar. Voltar a Nazaré, à primeira chamada, voltar à Galileia para solucionar a crise de identidade, para nos renovarmos como pastores-discípulos-missionários. Vós próprios faláveis de certo exagero na preocupação de gerar recursos para o bem-estar pessoal, por «caminhos tortuosos» que muitas vezes acabam por privilegiar atividades com uma retribuição garantida e criam resistências a dedicar a vida ao pastoreio diário. A imagem desta donzela simples na sua casa, em contraste com toda a estrutura do templo e de Jerusalém, pode ser o espelho onde vejamos as nossas complicações, as nossas preocupações que obscurecem e rarefazem a generosidade do nosso sim.

As dúvidas e a necessidade de explicações de Zacarias destoam com o sim de Maria que solicita apenas saber como se há de verificar tudo o que lhe vai acontecer. Zacarias não pode superar a preocupação de controlar tudo, não pode deixar a lógica de ser e sentir-se responsável e autor do que irá acontecer. Maria não duvida, não olha para Si mesma: entrega-Se, confia. É esgotante viver o vínculo com Deus como faz Zacarias, como um doutor da Lei: sempre cumprindo, sempre julgando que o salário é proporcional ao esforço feito, que é mérito meu se Deus me abençoa, que a Igreja tem o dever de reconhecer as minhas virtudes e esforços. É extenuante, é esgotante viver o vínculo com Deus como faz Zacarias. Não podemos correr atrás daquilo que redunda em benefícios pessoais; os nossos cansaços devem estar mais relacionados com a nossa capacidade de compaixão. Tenho capacidade de compaixão? São compromissos nos quais o nosso coração estremece e se comove? Irmãos e irmãs, a Igreja pede capacidade de compaixão. Capacidade de compaixão: «alegramo-nos com os noivos que vão casar – a vida pastoral –; rimos com a criança que trazem para batizar; acompanhamos os jovens que se preparam para o matrimónio e para ser família; entristecemo-nos com quem recebe a extrema-unção no leito do hospital; choramos com os que enterram uma pessoa querida» (Francisco, Homilia na Missa Crismal, 2 de abril de 2015). Consagramos horas e dias a acompanhar aquela mãe com SIDA, aquele menino que ficou órfão, aquela avó encarregada de tantos netos ou aquele jovem que veio para a cidade e está desesperado porque não encontra trabalho... «Tantas emoções! Se tivermos o coração aberto, estas emoções e tanto carinho cansam o coração do pastor. Para nós, sacerdotes, as histórias do nosso povo não são um noticiário: conhecemos a nossa gente, podemos adivinhar o que se passa no seu coração; e o nosso, sofrendo com eles, vai-se desgastando, divide-se em mil pedaços, compadece-se e parece até ser comido pelas pessoas: “tomai, comei”. Esta é a palavra que o sacerdote de Jesus sussurra sem cessar, quando está a cuidar do seu povo fiel: “tomai e comei, tomai e bebei...” E, assim, a nossa vida sacerdotal se vai doando no serviço, na proximidade ao povo fiel de Deus, etc., o que sempre, sempre cansa» (Ibid., 2 de abril de 2015). Irmãos e irmãs, a proximidade cansa. Cansa sempre a proximidade ao santo povo de Deus. A proximidade cansa. É belo encontrar um sacerdote, uma irmã, um catequista…. cansados por causa da proximidade. Renovar a chamada passa, muitas vezes, por verificar se os nossos cansaços e preocupações têm a ver com um certo «mundanismo espiritual» ditado «pelo fascínio de mil e uma propostas de consumo a que não conseguimos renunciar para caminhar, livres, pelas sendas que nos conduzem ao amor dos nossos irmãos, ao rebanho do Senhor, às ovelhas que aguardam pela voz dos seus pastores» (Francisco, Homilia na Missa Crismal, 24 de março de 2016). Renovar a chamada, a nossa chamada, passa por optar, dizer sim e cansar-nos com aquilo que é fecundo aos olhos de Deus, que torna presente, encarna o seu Filho Jesus. Oxalá encontremos, neste saudável cansaço, a fonte da nossa identidade e felicidade! A proximidade cansa, e este cansaço é santidade.

Oxalá os nossos jovens descubram em nós que nos deixamos «tomar e comer», e seja isso mesmo o que os leva a interrogar-se sobre o seguimento de Jesus e que eles, deslumbrados com a alegria duma entrega diária não imposta mas maturada e escolhida no silêncio e na oração, queiram dar o seu sim. Tu que ainda te interrogas ou tu que já estás a caminho duma consagração definitiva dar-te-ás conta de que «a ansiedade e a velocidade de tantos estímulos que nos bombardeiam fazem com que não haja lugar para aquele silêncio interior onde se percebe o olhar de Jesus e se ouve a sua chamada. Entretanto receberás muitas propostas bem confecionadas, que parecem belas e intensas, mas com o passar do tempo, deixar-te-ão simplesmente vazio, cansado e sozinho. Não deixes que isto te aconteça, porque o turbilhão deste mundo arrasta-te numa corrida sem sentido, sem orientação, nem objetivos claros, e deste modo se malograrão muitos dos teus esforços. Procura, antes, aqueles espaços de calma e silêncio que te permitam refletir, rezar, ver melhor o mundo ao teu redor e então sim, juntamente com Jesus, poderás reconhecer qual é a tua vocação nesta terra» (Francisco, Exort. ap. pós-sinodal Christus vivit, 277).

Aquele jogo de contrastes – a encarnação em Nazaré e a anunciação a Zacarias no Templo – que nos apresenta o evangelista Lucas, culmina no encontro das duas mulheres: Isabel e Maria. A Virgem visita a sua prima idosa e tudo é festa, dança e louvor. Há uma parte de Israel que entendeu a mudança profunda e vertiginosa do projeto de Deus: por isso aceita ser visitada, por isso o menino salta no ventre. Por um momento, numa sociedade patriarcal, o mundo dos homens retrai-se, emudece como Zacarias. Hoje também nos falou uma catequista, uma irmã, uma mulher moçambicana que nos recordou que nada vos fará perder o entusiasmo de evangelizar, de cumprir o vosso compromisso batismal. A vossa vocação é evangelizar; a vocação da Igreja é evangelizar; a identidade da Igreja é evangelizar. Não é fazer proselitismo! O proselitismo não é evangelização. O proselitismo não é cristão. A nossa vocação é evangelizar. A identidade da Igreja é evangelizar. E esta nossa irmã representa todos os que saem ao encontro dos seus irmãos: tanto os que visitam como Maria, como os que, deixando-se visitar, aceitam de bom grado que o outro os transforme compartilhando a sua cultura, os seus modos de viver a fé e de a exprimir.

A inquietação por ti expressa mostra-nos que a inculturação será sempre um desafio, como a «viagem» entre estas duas mulheres que ficarão mutuamente transformadas pelo encontro e o serviço. «As Igrejas particulares hão de promover ativamente formas, pelo menos incipientes, de inculturação. Enfim, o que se deve procurar é que a pregação do Evangelho, expressa com categorias próprias da cultura onde é anunciado, provoque uma nova síntese com essa cultura. Embora estes processos sejam sempre lentos, às vezes o medo paralisa-nos demasiado» (Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 129). O medo paralisa.

A «distância» entre Nazaré e Jerusalém é encurtada, torna-se inexistente por aquele sim de Maria. Porque as distâncias, os regionalismos e os partidarismos, a construção constante de muros, minam a dinâmica da encarnação, que derrubou o muro que nos separava (cf. Ef 2, 14). Vós – pelo menos os mais velhos –, que fostes testemunhas de divisões e rancores que acabaram em guerras, tendes de estar sempre dispostos a «visitar-vos», a encurtar as distâncias. A Igreja de Moçambique é convidada a ser a Igreja da Visitação; não pode ser parte do problema das competências, menosprezos e divisões de uns contra os outros, mas porta de solução, espaço onde sejam possíveis o respeito, o intercâmbio e o diálogo. A pergunta formulada sobre o modo de comportar-se perante um matrimónio inter-religioso desafia-nos quanto a esta tendência persistente que temos para a fragmentação, para separar em vez de unir. E o mesmo se passa com o vínculo entre nacionalidades, entre raças, entre os do norte e os do sul, entre comunidades, sacerdotes e bispos. É desafio porque, até se desenvolver «uma cultura do encontro numa harmonia pluriforme», requer-se «um processo constante no qual cada nova geração está envolvida. É um trabalho lento, é um trabalho árduo que exige querer integrar-se e aprender a fazê-lo». É o requisito necessário para a «construção de um povo em paz, justiça e fraternidade», para «o desenvolvimento da convivência social e a construção de um povo onde as diferenças se harmonizam dentro de um projeto comum» (Ibid., 220.221). Tal como Maria caminhou para casa de Isabel, assim também nós da Igreja temos que aprender o caminho frente a novas problemáticas, procurando não ficar paralisados por uma lógica que contrapõe, divide, condena. Ponde-vos a caminho e buscai uma resposta para estes desafios pedindo a assistência segura do Espírito Santo. É Ele o Mestre capaz de mostrar os novos caminhos a percorrer.

Reavivemos, pois, a nossa chamada vocacional, façamo-lo sob este magnífico templo dedicado a Maria e que o nosso sim comprometido proclame as grandezas do Senhor e alegre o espírito do nosso povo em Deus nosso Salvador (cf. Lc 1, 46-47). E encha de esperança, paz e reconciliação o vosso país, o nosso querido Moçambique.

Peço-vos, por favor, que rezeis e façais rezar por mim.

Que o Senhor vos abençoe e a Virgem Santíssima vele por vós.

Obrigado!

Traduzione in lingua italiana

Cari fratelli Cardinali,

fratelli Vescovi,

Cari sacerdoti, religiose, religiosi e seminaristi,

Cari catechisti e animatori di comunità cristiane,

Fratelli e sorelle, buon pomeriggio!

Ringrazio Mons. Hilario per le parole di benvenuto che mi ha rivolto a nome di tutti voi. Con affetto e viva gratitudine vi saluto tutti. So che avete fatto un grande sforzo per essere qui. Insieme, vogliamo rinnovare la risposta alla chiamata che una volta ha fatto ardere i nostri cuori e che la Santa Madre Chiesa ci ha aiutato a discernere e confermare con la missione. Grazie per le vostre testimonianze, che parlano dei momenti difficili e delle gravi sfide che vivete, riconoscendo limiti e debolezze, ma anche ammirando la misericordia di Dio. Mi ha fatto piacere sentire dalla bocca di una catechista: “Siamo una Chiesa inserita in un popolo eroico”. Grazie! Un popolo che è esperto nel soffrire ma mantiene viva la speranza. Con questo sano orgoglio per il vostro popolo, che invita a rinnovare la fede e la speranza, vogliamo rinnovare il nostro “sì” oggi. Com’è contenta la Santa Madre Chiesa nel sentire dalle vostre labbra l’amore per il Signore e per la missione che vi ha affidato! Com’è contenta nel vedere il vostro desiderio di ritornare sempre al «primo amore» (Ap 2,4)! Chiedo allo Spirito Santo di darvi sempre la lucidità di chiamare la realtà con il suo nome, il coraggio di chiedere perdono e la capacità di imparare ad ascoltare ciò che Lui vuole dirci.

Cari fratelli e sorelle, ci piaccia o no, siamo chiamati ad affrontare la realtà così com’è. I tempi cambiano e dobbiamo riconoscere che spesso non sappiamo come inserirci nei nuovi tempi, nei nuovi scenari; possiamo sognare le “cipolle d’Egitto” (cfr Nm 11,5), dimenticando che la Terra Promessa si trova davanti, non dietro, e in questa nostalgia dei tempi passati ci andiamo pietrificando, ci andiamo “mummificando”. Non è una cosa buona. Un vescovo, un sacerdote, una suora, un catechista mummificato. No, non va bene. Invece di professare una Buona Notizia, quello che annunciamo è qualcosa di grigio che non attira né accende il cuore di nessuno. Questa è la tentazione.

Ci troviamo in questa cattedrale, dedicata all'Immacolata Concezione della Vergine Maria, per condividere come famiglia ciò che ci accade; come famiglia nata da quel “sì” che Maria disse all’angelo. Ella, nemmeno per un momento guardò indietro. Chi racconta questi eventi dell’inizio del mistero dell’Incarnazione è l’evangelista Luca. Nel suo modo di farlo, forse possiamo scoprire le risposte alle domande che avete formulato oggi – vescovi, sacerdoti, suore, catechisti… I seminaristi non le hanno fatte! [ridono] – e trovare anche lo stimolo necessario per rispondere con la stessa generosità e prontezza di Maria.

San Luca presenta in parallelo gli avvenimenti relativi a San Giovanni Battista e quelli concernenti Gesù Cristo; intende così, dal confronto, farci scoprire ciò che si va estinguendo del modo di essere di Dio e del nostro rapportarci con Lui nell’Antico Testamento, e il nuovo modo che ci porta il Figlio di Dio fatto uomo. Un modo, nell’Antico Testamento, che si estingue, e un altro modo nuovo che Gesù porta.

Risalta il fatto che, in entrambe le Annunciazioni, - quella di Giovanni Battista e quella di Gesù – c’è un angelo. Tuttavia, in un caso, l’apparizione avviene in Giudea, nella città più importante – Gerusalemme – e non in un luogo qualsiasi, ma nel tempio e, al suo interno, nel Santo dei Santi; l’angelo si rivolge a un uomo, per di più sacerdote. Mentre l’annuncio dell’Incarnazione avviene in Galilea, la più remota e conflittuale delle regioni, in un piccolo villaggio – Nazareth –, in una casa e non nella sinagoga o in un luogo sacro, è rivolto a una persona laica e per di più donna – non a un sacerdote, non a un uomo. Il contrasto è grande. Cosa è cambiato? Tutto. Tutto è cambiato. E, in questo cambiamento, si trova la nostra identità più profonda.

Mi chiedevate che cosa fare riguardo alla crisi dell’identità sacerdotale, come combatterla. A proposito, quello che sto per dire dei sacerdoti è qualcosa che tutti (vescovi, catechisti, consacrati, seminaristi) siamo chiamati a coltivare e promuovere. Parlerò per tutti.

Di fronte alla crisi dell’identità sacerdotale, forse dobbiamo uscire dai luoghi importanti e solenni; dobbiamo tornare ai luoghi in cui siamo stati chiamati, dove era evidente che l’iniziativa e il potere erano di Dio. Nessuno di noi è stato chiamato per un posto importante, nessuno. A volte senza volerlo, senza colpa morale, ci abituiamo a identificare la nostra attività quotidiana di sacerdoti, religiosi, consacrati, laici, catechisti, con determinati riti, con riunioni e colloqui, dove il posto che occupiamo nella riunione, alla mensa o in aula è gerarchico; somigliamo più a Zaccaria che a Maria. «Credo che non esageriamo se diciamo che il sacerdote è una persona molto piccola: l’incommensurabile grandezza del dono che ci è stato dato per il ministero ci relega tra i più piccoli degli uomini. Il sacerdote è il più povero degli uomini – sì, il sacerdote è il più povero degli uomini – se Gesù non lo arricchisce con la sua povertà, è il più inutile servo se Gesù non lo chiama amico, il più stolto degli uomini se Gesù non lo istruisce pazientemente come fece con Pietro, il più indifeso dei cristiani se il Buon Pastore non lo fortifica in mezzo al gregge. – La debolezza del sacerdote, del consacrato, del catechista –. Nessuno è più piccolo di un sacerdote lasciato alle sue sole forze; perciò la nostra preghiera di difesa contro ogni insidia del Male è la preghiera di nostra Madre: sono sacerdote, perché Lui ha guardato con bontà la mia piccolezza (cfr Lc 1,48)» (Omelia nella Messa Crismale, 17 aprile 2014). Fratelli e sorelle, ritornare a Nazareth, ritornare in Galilea può essere la via per affrontare la crisi d’identità. Gesù ci chiama, dopo la sua risurrezione, a ritornare in Galilea, per incontrarlo. Ritornare a Nazareth, alla prima chiamata, ritornare in Galilea, per risolvere la crisi di identità, per rinnovarci come pastori-discepoli-missionari. Voi stessi parlavate di una certa esagerazione nel preoccuparsi di produrre risorse per il benessere personale, attraverso “percorsi tortuosi” che spesso finiscono per privilegiare tempi e compiti pagati dallo Stato e creano resistenze a dedicare la vita alla pastorale quotidiana. L’immagine di questa fanciulla semplice nella sua casa, in contrasto con tutta la struttura del tempio e di Gerusalemme, può essere lo specchio in cui vediamo le nostre complicazioni, le nostre preoccupazioni che oscurano e corrodono la generosità del nostro “sì”.

I dubbi e il bisogno di spiegazioni di Zaccaria stonano con il “sì” di Maria, che chiede solo di sapere come avverrà tutto ciò che sta per accaderle. Zaccaria non può evitare la preoccupazione di controllare tutto, non può rinunciare alla logica di essere e sentirsi responsabile e autore di ciò che accadrà. Maria non dubita, non pensa a sé stessa: si abbandona, si fida. È estenuante vivere il rapporto con Dio come fa Zaccaria, come un dottore della Legge: sempre eseguendo regole, sempre considerando che lo stipendio è proporzionato allo sforzo compiuto, che è merito mio se Dio mi benedice, che la Chiesa ha il dovere di riconoscere le mie virtù e i miei sforzi... È estenuante, è estenuante vivere il rapporto con Dio come fa Zaccaria. Non possiamo correre dietro a ciò che si traduce in benefici personali; le nostre stanchezze devono invece essere piuttosto legate alla nostra capacità di compassione. Ho capacità di compassione? Sono impegni in cui il nostro cuore è “mosso” e commosso. Fratelli e sorelle, la Chiesa chiede capacità di compassione. Capacità di compassione. «Ci rallegriamo con i fidanzati che si sposano – la vita pastorale –, ridiamo con il bimbo che portano a battezzare; accompagniamo i giovani che si preparano al matrimonio e alla famiglia; ci addoloriamo con chi riceve l’unzione nel letto d’ospedale; piangiamo con quelli che seppelliscono una persona cara» (Omelia nella Messa Crismale, 2 aprile 2015). Dedichiamo ore e giorni ad accompagnare quella madre con l’AIDS, quel bambino rimasto orfano, quella nonna che si fa carico di tanti nipotini o quel giovane che è venuto in città ed è disperato perché non riesce a trovare lavoro. «Tante emozioni… Se noi abbiamo il cuore aperto, questa emozione e tanto affetto affaticano il cuore del Pastore. Per noi sacerdoti le storie della nostra gente non sono un notiziario: noi conosciamo la nostra gente, possiamo indovinare ciò che sta passando nel loro cuore; e il nostro, nel patire con loro, ci si va sfilacciando, ci si divide in mille pezzetti, ed è commosso e sembra perfino mangiato dalla gente: prendete, mangiate. Questa è la parola che sussurra costantemente il sacerdote di Gesù quando si sta prendendo cura del suo popolo fedele: prendete e mangiate, prendete e bevete… E così la nostra vita sacerdotale si va donando nel servizio, nella vicinanza al Popolo fedele di Dio… che sempre, sempre stanca» (ibid.). Fratelli e sorelle, la vicinanza stanca, stanca sempre. La vicinanza al santo popolo di Dio. La vicinanza stanca. È bello incontrarsi, un sacerdote, una suora, un catechista…, stanchi di vicinanza. Rinnovare la chiamata spesso richiede di verificare se la nostra stanchezza e le nostre preoccupazioni hanno a che fare con una certa “mondanità spirituale” dettata «dal fascino di mille proposte di consumo che non possiamo scrollarci di dosso per camminare, liberi, sui sentieri che ci conducono all’amore dei nostri fratelli, al gregge del Signore, alle pecorelle che attendono la voce dei loro pastori» (Omelia nella Messa Crismale, 24 marzo 2016). Rinnovare la chiamata, la nostra chiamata, significa scegliere, dire di sì e stancarci con ciò che è fecondo agli occhi di Dio, che rende presente, incarna il suo Figlio Gesù. Voglia Iddio che troviamo, in questa salutare stanchezza, la fonte della nostra identità e felicità. La vicinanza stanca, e questa stanchezza è santità.

Possano i nostri giovani scoprire in noi la volontà di lasciarci “prendere e mangiare”, e sia proprio questo a farli interrogare riguardo alla sequela di Gesù, in modo che, abbagliati dalla gioia di una donazione quotidiana non imposta ma maturata e scelta nel silenzio e nella preghiera, vogliano dire il loro “sì”. Tu che ancora ti stai interrogando, o tu che sei già sulla via di una consacrazione definitiva, ti renderai conto che «l’ansia e la velocità di tanti stimoli che ci bombardano fanno sì che non ci sia spazio per quel silenzio interiore in cui si percepisce lo sguardo di Gesù e si ascolta la sua chiamata. Nel frattempo, riceverai molte proposte ben confezionate, che si presentano belle e intense, ma con il tempo ti lasceranno svuotato, stanco e solo. Non lasciare che questo ti accada, perché il turbine di questo mondo ti trascina in una corsa senza senso, senza orientamento, senza obiettivi chiari, e così molti tuoi sforzi andranno sprecati. Cerca piuttosto quegli spazi di calma e di silenzio che ti permettano di riflettere, di pregare, di guardare meglio il mondo che ti circonda, e a quel punto, insieme a Gesù, potrai riconoscere quale è la tua vocazione in questa terra» (Esort. ap. Christus vivit, 277).

Quel gioco di contrasti, presentato dall’evangelista Luca – l’incarnazione a Nazareth e l’annunciazione a Zaccaria nel Tempio –, culmina nell’incontro delle due donne: Elisabetta e Maria. La Vergine visita la sua cugina anziana e tutto è festa, danza e lode. C’è una parte di Israele che ha capito il profondo e vertiginoso cambiamento del progetto di Dio: perciò accetta di essere visitata, perciò il bambino sussulta nel grembo. Per un momento, in una società patriarcale, il mondo degli uomini si ritrae, resta muto come Zaccaria. Oggi ci ha parlato anche una catechista, una suora, una donna mozambicana che ci ha ricordato che niente vi farà perdere l’entusiasmo di evangelizzare, di adempiere il vostro impegno battesimale. La vostra vocazione è evangelizzare; la vocazione della Chiesa è evangelizzare; l’identità della Chiesa è evangelizzare. Non fare proselitismo! Il proselitismo non è evangelizzazione. Il proselitismo non è cristiano. La nostra vocazione è evangelizzare. L’identità della Chiesa è evangelizzare. E questa nostra sorella rappresenta tutti quelli che vanno incontro ai loro fratelli: sia quelli che visitano come Maria, sia quelli che, lasciandosi visitare, accettano volentieri che l’altro li trasformi condividendo la loro cultura, i loro modi di vivere la fede e di esprimerla.

La preoccupazione che hai manifestato ci mostra che l’inculturazione sarà sempre una sfida, come il “viaggio” tra queste due donne che si troveranno trasformate a vicenda attraverso l’incontro e il servizio. «Le Chiese particolari devono promuovere attivamente forme, almeno iniziali, di inculturazione. Ciò a cui si deve tendere, in definitiva, è che la predicazione del Vangelo, espressa con categorie proprie della cultura in cui è annunciato, provochi una nuova sintesi con tale cultura. Benché questi processi siano sempre lenti, a volte la paura ci paralizza troppo» (Esort. ap. Evangelii gaudium, 129). La paura paralizza. La “distanza” tra Nazareth e Gerusalemme è accorciata, diventa inesistente per quel “sì” di Maria. Perché le distanze, i regionalismi e i particolarismi, la continua costruzione di muri, minano la dinamica dell’incarnazione, che ha abbattuto il muro che ci separava (cfr Ef 2,14). Voi – almeno i più anziani – che siete stati testimoni di divisioni e rancori finiti in guerre, dovete essere sempre disposti a “visitarvi”, ad accorciare le distanze. La Chiesa del Mozambico è invitata a essere la Chiesa della Visitazione; non può far parte del problema delle competenze, del disprezzo e delle divisioni degli uni contro gli altri, ma porta di soluzione, spazio in cui siano possibili il rispetto, l’interscambio e il dialogo. La domanda posta su come comportarci rispetto a un matrimonio interreligioso ci sfida riguardo a questa persistente tendenza che abbiamo alla frammentazione, a separare piuttosto che unire. E lo stesso succede per il rapporto tra nazionalità, tra etnie, tra quelli del nord e quelli del sud, tra comunità, sacerdoti e vescovi. È una sfida perché, finché non si sviluppa «una cultura dell’incontro in una pluriforme armonia», si richiede «un costante processo nel quale ogni nuova generazione si vede coinvolta. È un lavoro lento, è un lavoro arduo che esige di volersi integrare e di imparare a farlo». È il requisito necessario per la «costruzione di un popolo in pace, giustizia e fraternità», per «lo sviluppo della convivenza sociale e la costruzione di un popolo in cui le differenze si armonizzino all’interno di un progetto comune» (ibid., 220-221). Come Maria è andata fino alla casa di Elisabetta, così anche noi nella Chiesa dobbiamo imparare la strada da seguire in mezzo a nuove problematiche, cercando di non restare paralizzati da una logica che contrappone, divide, condanna. Mettetevi in cammino e cercate una risposta a queste sfide chiedendo la sicura assistenza dello Spirito Santo. È Lui il Maestro, in grado di mostrare le nuove strade da percorrere.

Ravviviamo dunque la nostra chiamata vocazionale, facciamolo in questo magnifico tempio dedicato a Maria, e che il nostro “sì” generoso magnifichi il Signore e faccia esultare lo spirito del nostro popolo in Dio nostro Salvatore (cfr Lc 1,46-47). E colmi di speranza, pace e riconciliazione il vostro Paese, il nostro amato Mozambico!

Vi chiedo, per favore, di pregare e far pregare per me.

Il Signore vi benedica e la Vergine Santissima vegli su di voi.

Grazie!



Visita in privato alla Casa Matteo 25

Alle ore 17.15 il Santo Padre Francesco ha lasciato la Nunziatura Apostolica di Maputo e si è trasferito in macchina alla Casa Matteo 25, per visitare in privato l’opera nata per l’assistenza a giovani e bambini di strada.

Al suo arrivo, il Papa è stato accolto dal Presidente della Repubblica del Mozambico, Sig. Filipe Jacinto Nyusi, all’ingresso della Casa, mentre un gruppo di bambini ha intonato un canto. Nei pressi della cappella, dove è posta una lapide commemorativa, lo hanno atteso tre suore e un sacerdote che fanno parte dell’équipe di coordinamento dell’Opera. Poi il Papa è entrato nella cappella e si è raccolto in preghiera per qualche minuto.

Dopo aver consegnato un dono, il Papa ha incontrato in forma privata gli assistiti dell’Opera Casa Matteo 25 e di altre associazioni religiose.

Al termine della vista il Papa ha fatto rientro in Nunziatura, dove ha incontrato privatamente i membri della Compagnia di Gesù del Mozambico.

© http://press.vatican.va/content/salastampa/it/bollettino.html - 5 settembre 2019


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